Tribuna das Águas repudia a privatização do saneamento em Manaus. Artigo de Sandoval Alves Rocha

Manaus está entre as sete capitais com pior saneamento básico do país. (Foto: Alberto Cesar Araújo | Amazônia Real)

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11 Julho 2026

"Já se passaram 26 anos desde o inicio da concessão, mas ainda apresentamos os piores desempenhos entre as grandes cidades brasileiras", escreve Sandoval Alves Rocha.

O artigo é de Sandoval Alves da Rocha, doutor em Ciências Sociais pela PUC-Rio. Participa da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas e associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS). É membro da Companhia de Jesus/Jesuítas e professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

Eis o artigo.

No dia 04 de julho, a 12ª Tribuna das Águas levou para a rua, mais precisamente para a frente da sede da empresa Águas de Manaus, as reclamações da população manauara em relação aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Esse dia entrou na história por ser o dia em que os serviços de água e esgoto começaram a ser operados oficialmente pela concessão privada no ano 2000.

Naquela época, depois de um conturbado processo de privatização conduzido pelo governador Amazonino Mendes, a empresa Lyonnaise des Eaux – Suez arrematou as ações da subsidiária estatal Manaus Saneamento, iniciando uma trajetória de lamentos e lamúrias. Mesmo pagando uma bagatela abaixo do valor real da subsidiária, a multinacional francesa não conseguiu permanecer na cidade por muito tempo, uma vez que descumpria as metas do contrato de concessão, sendo obrigada a transferir os serviços para outro grupo empresarial.

De lá para cá estamos no 4º grupo empresarial que assume a concessão sem resolver os problemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Já se passaram 26 anos desde o inicio da concessão, mas ainda apresentamos os piores desempenhos entre as grandes cidades brasileiras. Manaus está entre as sete capitais com pior saneamento básico do país. A capital amazonense supera apenas Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Belém (PA), Macapá (AP), São Luiz (MA) e Maceió (AL).

São quase três décadas de reclamações, processos judiciais, investigações, multas e notificações. O Site Reclame Aqui informa que os principais problemas apontados pelos consumidores são cobranças indevidas e falta de água nas residências. Além disso, os indicadores fornecidos pelo Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA) mostram que depois de 26 anos de privatização a coleta de esgotos chega somente a 32,35% da cidade e os serviços de tratamento de esgoto alcançam somente 22,78% da cidade.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Procon/AM) também mostra o baixo desempenho da concessionária Águas de Manaus, controlada pelo grupo Aegea Saneamento. O Procon revela que a empresa ocupa a infame liderança das empresas mais reclamadas da cidade. De acordo com o Instituto, as 3 empresas mais reclamadas do ranking são: Águas de Manaus, Bradesco e Vivo. Até o mês de maio de 2026, a empresa de saneamento já tinha acumulado 510 reclamações, quase o dobro da segunda (301) e da terceira colocada (272).

Diante deste cenário, o Fórum das Águas do Amazonas promoveu a 12ª Tribuna das Águas reunindo movimentos sociais, universidades, ONGs e lideranças comunitárias, numa nova tentativa de melhorar os serviços oferecidos à população. Para os participantes do evento, a solução passa pela reestatização dos serviços e pela democratização da gestão do saneamento, possibilitando os moradores contribuir nas decisões sobre os investimentos realizados.

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