11 Julho 2026
A Igreja Evangélica (Luterana) Alemã (EKD) promoveu uma iniciativa que permitiu a milhares de casais celebrar o casamento religioso ou receber uma bênção para a sua relação de forma rápida e simples – sem custos, burocracias ou meses de preparação prévia – numa tentativa de aproximar da Igreja pessoas que, por razões financeiras, logísticas ou de distanciamento religioso, dificilmente optariam por uma cerimónia “tradicional”.
A informação é de Clara Raimundo, publicada por 7Margens, 07-07-2026.
Sob o lema “Simplesmete, case-se” (Einfach heiraten), a iniciativa decorreu em 368 igrejas espalhadas por todo o país, conta o jornal La Croix. Lançado há três anos pela Igreja Evangélica da Baviera, o projeto foi este ano adotado, pela primeira vez, pelas doze igrejas regionais luteranas que integram a EKD. A data escolhida – o passado dia 26 de junho (26/06/2026) – foi apresentada pelos organizadores como um “dia de sorte”, graças à repetição dos algarismos. E foram mais de 5.000 os casais que decidiram tentar a sua.
Na Igreja Memorial Kaiser Wilhelm, em Berlim, uma das dinamizadoras da iniciativa foi a pastora Kathrin Oxen, que durante quatro horas acolheu cerca de vinte casais. Entre eles estavam Rolf e Barbara, casados há 53 anos, que decidiram renovar inesperadamente os votos depois de verem um cartaz sobre a iniciativa durante uma visita à capital alemã.
Cada celebração começava com uma breve conversa de cerca de dez minutos entre o casal e o pastor. Seguia-se uma cerimónia igualmente breve, na qual os participantes escolhiam a música de entrada e saída e realizavam um gesto simbólico, entrelaçando três fios coloridos, representando a união entre ambos e Deus.
Outros casais prepararam o momento com alguma antecedência, mas não muita. Philina e Robert Sandow, casados civilmente há nove anos, inscreveram-se uma semana antes e convidaram familiares e amigos próximos. Segundo a noiva, o formato simples permitiu convencer o marido, não crente, a participar numa celebração religiosa que dispensava os custos e a organização de uma grande festa.
Segundo Kathrin Oxen, o objetivo é oferecer uma resposta a quem deseja receber a bênção de Deus para a sua relação, mas não pretende organizar uma cerimónia tradicional. Até porque “o essencial de um casamento religioso é precisamente essa bênção”, sublinhou em declarações ao La Croix.
A iniciativa mantém, contudo, as regras habituais da Igreja Evangélica Alemã: os casamentos religiosos apenas podem ser celebrados no caso de casais já unidos pelo casamento civil e em que pelo menos um dos cônjuges pertence à Igreja. Já as celebrações de bênção estão abertas a todos os casais, independentemente da sua orientação sexual.
A proposta reflete também a compreensão luterana do matrimónio. Ao contrário do que acontece na Igreja Católica, aqui o casamento não é considerado um sacramento, mas uma realidade pertencente à ordem da criação, regulada pela autoridade civil e colocada sob a bênção de Deus. Assim, a validade da união decorre do casamento civil, sendo a celebração religiosa entendida como um pedido da bênção divina e não como um requisito para a existência do matrimónio.
A experiência, porém, não reúne consenso dentro da própria EKD. Os percursos habituais de preparação para o casamento incluem normalmente entre oito e dez horas de encontros com o pastor, considerados um elemento importante do acompanhamento espiritual dos noivos.
Por isso, o Arbeitskreis Bekennender Christen, um grupo teológico conservador ligado à Igreja Evangélica da Baviera, criticou a iniciativa desde o seu lançamento, em 2023, considerando que ela banaliza o casamento e transforma a Igreja num simples prestador de serviços religiosos.
A iniciativa surge num contexto de forte diminuição dos casamentos religiosos na Alemanha, acompanhando a quebra do número de membros das Igrejas cristãs e a crescente secularização da sociedade. Ao simplificar o acesso às celebrações, a EKD procura encontrar novas formas de contacto com pessoas que continuam a valorizar a dimensão espiritual da sua relação, mas que dificilmente recorreriam aos modelos tradicionais para “oficializá-la”.
Para aqueles que, mesmo assim, ainda não se decidiram, a data da próxima iniciativa “Simplesmente, case-se” já ficou marcada: será a 2 de julho de 2027.
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