08 Julho 2026
Mette Frederiksen lembrou ao presidente americano que a OTAN aplicou o artigo 5º, de defesa comum, “quando os Estados Unidos foram atacados em 11 de setembro. E o mesmo vale para a Groenlândia: se acontecer algo que nos afete, a Aliança responderá”.
A informação é de Rodrigo Ponce de León, publicada por El Diario, 08-07-2026.
“Claro que defenderemos o Reino da Dinamarca”. Foi assim que a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, respondeu nesta quarta-feira à pergunta dos jornalistas se “defenderiam cada centímetro da Groenlândia, mesmo que o agressor fosse um antigo aliado”, após as declarações incendiárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse que “a Groenlândia deveria estar sob o controle dos Estados Unidos e não da Dinamarca”, durante a cúpula da OTAN que está sendo realizada na capital turca de Ancara.
Frederiksen lamentou a atitude de Trump: “Ouvi ontem o presidente dos Estados Unidos e acho que a posição americana, infelizmente, é muito clara sobre este assunto. A nossa postura também tem sido clara desde o início: a Groenlândia, claro, não está à venda”.
“Esperamos que todos, incluindo todos os nossos aliados, respeitem o direito do povo groenlandês à autodeterminação. Somos um Estado soberano e precisamos que todo o mundo respeite a nossa integridade territorial e a nossa soberania”, reiterou a primeira-ministra da Dinamarca.
Diante das perguntas dos jornalistas sobre se a Dinamarca estaria disposta a defender militarmente a Groenlândia, Frederiksen ressaltou que “estamos preparados para defender cada centímetro do território da OTAN, incluindo o nosso próprio território. Uma das razões pelas quais fundamos a OTAN há tantas décadas foi precisamente que, se um de nós for atacado, todos iremos em sua defesa. O artigo 5º é o nosso seguro coletivo”.
Apelando ao artigo 5º da OTAN, que obriga à defesa coletiva caso um de seus membros seja atacado, ela mandou uma mensagem a Trump sobre como deve responder a Aliança Atlântica: “Foi aplicado quando os Estados Unidos foram atacados em 11 de setembro. E o mesmo vale para a Groenlândia: se acontecer algo que nos afete, a Aliança responderá”.
Frederiksen contou com o apoio da primeira-ministra da Islândia, Kristrún Frostadóttir, que assinalou que “a Groenlândia pertence ao seu povo, eles não querem ser parte dos EUA. Acontece o mesmo com a Islândia. O que precisamos é de unidade. Temos ameaças de fora da Aliança, a mais forte é a Rússia, e deveria ser nisso que deveríamos focar nesta cúpula”. Trump confundiu várias vezes a Islândia com a Groenlândia em seus discursos sobre anexar o território dinamarquês.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, o presidente finlandês, Alexander Stubb, e o seu homólogo letão, Edgars Rinkevics, também mostraram solidariedade com a Dinamarca e com a defesa da soberania da Groenlândia diante das ameaças de Trump.
Totalmente diferente foi a posição do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que não quis criticar Trump e nem sequer entrou no mérito de comentar as suas polêmicas palavras sobre a Groenlândia. Rutte limitou-se a assinalar que “o compromisso dos Estados Unidos com la OTAN é total. Também porque a OTAN responde ao interesse nacional dos Estados Unidos: por exemplo, para impedir que os submarinos nucleares russos terminem em frente às costas americanas e para garantir a segurança os Estados Unidos. A OTAN mantém seguros o Atlântico, a Europa e o Ártico”.
Não é a primeira vez que Trump ameaça anexar este território pertencente à coroa dinamarquesa, que é rica em minerais críticos e terras raras, matérias essenciais para a indústria tecnológica e de defesa. O presidente dos EUA chegou a dizer em várias ocasiões que conseguiria ficar com a Groenlândia, inclusive utilizando a força militar, e também ameaçou com tarifas contra a UE se o território dinamarquês não fosse cedido.
Trump volta a incendiar a sua relação com a Europa: “A Groenlândia deveria estar sob o controle dos EUA e não da Dinamarca”
No último mês de janeiro, após meses de tensões entre a Europa e os Estados Unidos pela soberania da ilha, o que levou vários países europeus a enviar tropas para a Groenlândia como medida de pressão, Trump cedeu diante dos avisos velados da UE de utilizar medidas econômicas contra os EUA.
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