03 Julho 2026
O número de mortes aumentou quase 30% na França durante a semana de 22 a 29 de junho, o auge da onda de calor excepcional que atingiu o país, anunciou na sexta-feira (3) a agência Santé Publique France. A maioria dos falecimentos, 62%, ocorreu na região de Paris.
A informação é publicada por RFI, 03-07-2026.
Em um relatório atualizado, a agência de saúde pública registrou "um aumento de 29,1%, correspondendo a 2.025 mortes adicionais em comparação com a semana anterior". A entidade ressalta que esse número continua a ser uma estimativa subestimada.
No primeiro balanço provisório, divulgado no último fim de semana, a agência havia relatado 1.000 mortes acima da média. A estimativa se baseia apenas em atestados de óbito eletrônicos, que representam pouco mais da metade de todos os óbitos no país.
A onda de calor atingiu a França por cerca de dez dias e revelou-se excepcional, trazendo três dos dias mais quentes já registrados no país. A tendência é particularmente acentuada na região de Île-de-France, de Paris, assim como no Vale do Loire, no oeste.
Mortes em casa
"O que é muito importante é que, dentro dessas 2.025 mortes, observamos um aumento de 91% nos óbitos ocorridos dentro de casa, na comparação com a semana anterior", declarou a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, no canal de televisão TF1.
A onda de calor histórica que atingiu a França no final de junho criou condições quase insuportáveis em muitas residências. Novas temperaturas elevadas estão previstas para este fim de semana, levando a confusão e brigas nas lojas para a compra de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.
Em todas as faixas etárias, os casos que exigiram atendimento médico por insolação aumentaram seis vezes e os de desidratação, quatro vezes, segundo a organização SOS Médecins.
As mortes em domicílio são uma particularidade desta onda de calor em relação ao fenômeno histórico de 2003, durante o qual 15 mil pessoas morreram na França, a maioria em casas de repouso para idosos. As autoridades sanitárias afirmam que a onda de calor de junho foi mais intensa, mas seu impacto na saúde, menos grave.
Incêndios precoces no sul
Antes mesmo do calor voltar ao país, o sul da França já sofre com incêndios florestais excepcionalmente precoces e intensos. Na noite de quinta-feira (2), milhares de bombeiros foram mobilizados para combater as chamas, enquanto acampamentos são evacuados e rodovias são interditadas.
Em Canet-en-Roussillon, três bombeiros sofreram ferimentos leves. Mais de 3 mil pessoas, a maioria turistas, foram retiradas de campings da região devido ao avanço do fogo. Muitos, entre eles alemães, britânicos e holandeses, deixaram os locais sem seus pertences. Vários helicópteros de combate a incêndios também foram acionados.
Em Marselha, onde presidia uma reunião do comitê interministerial de crise sobre os incêndios, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que "fenômenos meteorológicos" alimentaram focos de incêndio "bastante violentos" e prematuros. Ele observou que "8.700 hectares" foram queimados desde o início da temporada.
O maior incêndio registrado queima desde quarta-feira e abrange os departamentos de Aude e Hérault. Alimentado pelo vento, o fogo já consumiu aproximadamente 900 hectares.
Um pouco mais ao sul, em Narbonne, um incêndio que começou no meio da tarde foi controlado à noite, após destruir duas casas, segundo a prefeitura, que informou que 12 pessoas precisaram ser levadas para um local seguro. Mais a leste, em Milhaud, um incêndio iniciado em uma fábrica de produtos de madeira ainda não foi controlado e já queimou 130 hectares.
Ventos fortes e vegetação seca
Esses incêndios, de causa humana em 90% dos casos, são intensificados pelas condições climáticas extremas que afetam a França atualmente: temperaturas elevadas e ventos fortes atuando sobre uma vegetação que prosperou durante as chuvas de primavera, mas que agora está completamente ressecada.
O chefe de governo enfrenta pressão de parlamentares do Partido Verde, que apresentaram uma moção de censura na quinta-feira, acusando o premiê de ter "exacerbado" as "vulnerabilidades" do país em relação às mudanças climáticas e às ondas de calor.
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