Gaza. O médico da Emergency: “Parasitas e sarna, piora com o calor”

Foto: Domínio Público/PxHere

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11 Junho 2026

Sobreviver entre 68 milhões de toneladas de escombros, sepulcro provisório, ou talvez perpétuo, para milhares de corpos. Em Gaza, uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, as ruínas ladeiam as estradas muitas vezes intransitáveis, acompanhadas por montes de lixo que por vezes se elevam em pilhas monumentais. Com o lixo vieram os ratos, pesadelos entre as tendas da multidão deslocada.

A reportagem é de Luca Foschi, publicada por Avvenire, 09-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Depois vieram piolhos, pulgas, percevejos, moscas, ácaros, carrapatos, larvas e gafanhotos na vegetação ressequida e abandonada, entre os pântanos turvos e as fossas sépticas rudimentares a poucos passos dos acampamentos aninhados na poeira. 89% das infraestruturas ligadas ao setor hídrico-sanitário foram destruídas ou danificadas pelo exército israelense, de acordo com a ONU, a União Europeia e o Banco Mundial.

O OCHA, Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, relatou em meados de abril que roedores e outras pragas eram frequentemente visíveis em 1.326 dos 1.644 locais avaliados em Gaza, ou seja, 81%. A chegada de um verão escaldante não ajudou os limitados esforços de desinfestação: "As pessoas continuam vivendo em tendas superlotadas e, com o aumento das temperaturas, as doenças infecciosas e as ectoparasitoses estão crescendo. Gastroenterites agudas, que levam à desidratação, doenças de pele, sarna, impetigo, patologias que ficam sob controle em um ambiente saudável, aqui se tornam extremamente infecciosas e mais difíceis de tratar. A pouca higiene é consequência da escassez de água. Os habitantes de Gaza têm acesso a seis litros de água potável por dia, enquanto o padrão humanitário mínimo exige 15", explica ao jornal Avvenire Irdi Memaj, médico da organização Emergency, que trabalha na clínica al-Qarara, em Deir al-Balah, na região central da Faixa de Gaza.

A escassez generalizada de tudo que atingiu o norte da Faixa de Gaza entre agosto e setembro de 2025 foi superada, "mas estima-se que 4% das crianças ainda estejam desnutridas, e as Nações Unidas informam que uma em cada cinco famílias faz apenas uma refeição por dia. 77% da população depende de ajuda humanitária. Os que mais sofrem são os idosos e as crianças. 40% dos nossos pacientes têm menos de 14 anos", afirma Memaj. Muitas vezes faltam medicamentos básicos, como “anti-hipertensivos, remédios para diabetes e todos os necessários para tratar doenças crônicas que, se não tratadas, se tornam agudas e graves, podendo levar à morte.

Sofremos uma falta de antibióticos, e as cargas que chegam estão sujeitas à volatilidade do contexto internacional. Sempre que um conflito eclode, como no recente confronto entre Irã e Israel, a fronteira de Gaza é fechada. Isso interrompe o fluxo de ajuda e aumenta o preço dos alimentos que chegam pela rota comercial, agora 235% mais caro do que antes da guerra. Não há trabalho, alimentos como frutas, verduras e carne estão se tornando inacessíveis", conta o médico. O destino de mais de dois milhões de pessoas, a extensão das condições humanitárias já catastróficas, depende de decisões que vêm de Teerã, Washington e, principalmente, Tel Aviv.

Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu ordem ao exército para estender seu controle sobre a Faixa de Gaza até ocupar 70% de seu território. "Se isso vier a acontecer, iremos enfrentar grandes dificuldades. Teremos que planejar nossas ações com base em um novo e vasto deslocamento da população, concentrada em um espaço ainda menor", conclui o médico da Emergency.

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