27 Mai 2026
Bombardeios no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, ordens de evacuação para 19 aldeias, pelo menos 30 mortos. No entanto, formalmente, o cessar-fogo permanece em vigor.
A informação é de Fabio Tonacci, publicada por La Repubblica, 27-05-2026.
E chamam isso de trégua. O Hezbollah ataca o norte de Israel com drones de fibra óptica, Netanyahu ordena que suas tropas cruzem a Linha Amarela e recuem para além do Rio Litani, há bombardeios no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, ordens de evacuação para 19 aldeias, pelo menos 30 mortes, incluindo duas crianças. Mas, formalmente, o cessar-fogo ainda está em vigor. E as negociações de Washington entre o Líbano e o Estado judeu continuam.
"Estamos intensificando as operações terrestres e reforçando a zona tampão no Líbano para proteger nossas comunidades no norte", anunciou o primeiro-ministro israelense no meio da tarde, após uma reunião com autoridades de defesa. "Estamos trabalhando em soluções inovadoras contra drones explosivos." Essencialmente, é disso que se trata.
O Hezbollah está usando uma arma testada na Ucrânia que surpreendeu as Forças de Defesa de Israel (IDF): pequenos quadricópteros pilotados não por sinais de rádio, redes celulares ou satélites, mas por finos cabos de fibra óptica que burlam os sistemas de interceptação eletromagnética. São chamados de FPV (Visão em Primeira Pessoa) e controlados remotamente com headsets digitais semelhantes aos usados em videogames. "O cabo médio tem 15 quilômetros de comprimento, mas com os drones maiores, o alcance pode chegar a 25 quilômetros", explica o general israelense aposentado Giora Eiland, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional. "Com esses drones, o Hezbollah já conseguiu matar 11 soldados."
O Estado-Maior israelense foi pego de surpresa, a ponto de — como revelou a emissora pública Kan — ter que contatar pescadores no Mar da Galileia para obter redes de pesca e erguer barreiras de proteção para seus veículos e posições. No entanto, isso claramente não foi suficiente. "Mesmo hoje, 50% dos drones FPV atingem seus alvos", afirma o General Eiland.
Por isso, ontem, as Forças de Defesa de Israel (IDF) receberam ordens para avançar em direção a Nabatiye, ordenando sua evacuação, e cruzaram a linha amarela atrás da qual estavam posicionadas desde o cessar-fogo de 16 de abril: ela demarca uma zona de ocupação com cerca de dez quilômetros de profundidade em território libanês. A lógica é a mesma da linha amarela em Gaza, mas os atores envolvidos são diferentes. Ao contrário do Hamas (que ontem sofreu um ataque aéreo em Gaza que pode ter matado Mohammed Odeh, nomeado comandante das Brigadas Qassam há apenas uma semana), a milícia xiita ainda consegue realizar ataques significativos.
Nos últimos nove dias, em meio ao impasse nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, o Hezbollah intensificou seus ataques, ampliando seu alcance: primeiro concentrou-se nas tropas das Forças de Defesa de Israel no Líbano, agora em comunidades israelenses do outro lado da fronteira. "Para pressionar os americanos, o Irã, como sempre, ativou grupos aliados", afirma Sarit Zehavi, presidente da Alma, um centro de análise geopolítica. "Nossas forças armadas gostariam de retomar a ofensiva em Beirute, onde o Hezbollah detém o comando, mas se isso acontecesse, o Irã culparia Israel pelo fracasso das negociações com os Estados Unidos." Não é coincidência que Trump tenha reiterado a Netanyahu por telefone que aprovava a operação terrestre, mas não o bombardeio da capital libanesa.
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