El Niño: Flávio Dino cobra planos de combate a incêndios do governo federal e dos estados

Foto: Rede Valvet | Pixabay

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26 Mai 2026

Cenário do 2º semestre preocupa, principalmente devido ao déficit hídrico e temperaturas extremas previstas para a primavera.

A informação é publicada por ClimaInfo, 25-05-2026. 

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou na 2ª feira (25/5) que os estados e a União apresentem imediatamente seus planos e preparativos para enfrentar incêndios florestais. Dino destacou a urgência de medidas preventivas diante de um cenário climático crítico para o Brasil no segundo semestre, pela quase certeza de um El Niño neste ano e a crescente possibilidade do fenômeno atingir a categoria “forte” ou “muito forte”.

O acórdão na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743, redigido pelo ministro, vale para os estados da Amazônia Legal e do Pantanal. Seu objetivo é garantir que a estrutura de comando e controle do Estado não seja superada pelo agravamento do déficit hídrico e das temperaturas extremas previstas para a primavera, informa o Correio Braziliense.

Do início do ano até agora, incêndios já devastaram 150 milhões de hectares de vegetação no planeta – uma área quase do tamanho do estado do Amazonas. Até 13 de maio, o Pantanal teve alta de 132% na área queimada, em comparação ao igual período de 2025. Já a Amazônia registrou crescimento de 51% na área queimada; a Caatinga, de 14%; e a Mata Atlântica, de 1%, lista o Estado do Pará Online.

No Norte e no Centro-Oeste, o El Niño caracteriza-se por períodos de seca mais longos e intensos, temperaturas mais elevadas e maior risco de incêndios. Segundo o despacho de Dino, o pico do fenômeno pode ocorrer junto com o período mais crítico para a propagação do fogo no Brasil – de setembro a outubro, relatam Carta Capital e Band. No entanto, alguns especialistas projetam o pico do El Niño para o início de 2027.

A decisão de Dino foca na integração de esforços entre União e estados. Foram homologados três planos federais: o plano de ação emergencial de prevenção e enfrentamento na Amazônia Legal e no Pantanal; o de fortalecimento institucional para o controle de incêndios; e o de integração de dados e aprimoramento dos sistemas de gestão ambiental.

Além disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também manifestou preocupação com a insuficiência de servidores e meteorologistas no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), essenciais para a emissão de alertas tempestivos.

Alerta máximo para o segundo semestre — Com El Niño podendo atingir categoria “forte” ou “muito forte”, STF cobra planos urgentes de União e estados para enfrentar incêndios na Amazônia e no Pantanal.

Incêndios já em alta — No Pantanal, as chamas cresceram 132% de janeiro a maio em relação a igual período de 2025; na Amazônia, 51%. No mundo, 150 milhões de hectares já foram devastados só neste ano — área maior que o estado do Amazonas.

Estrutura de resposta ainda frágil — Três planos federais foram homologados, mas a PGR alerta para falta de servidores e meteorologistas no Cemaden, órgão responsável por emitir alertas de desastres a tempo.

Em tempo: Apesar de ter decretado estado de alerta climático por 180 dias pelo risco de um “Super El Niño”, o governo de Santa Catarina executou menos de um sexto do orçamento previsto para a Secretaria da Proteção e Defesa Civil em 2025, informa O Globo. O orçamento inicial foi de R$ 50 milhões, que caiu para R$ 10 milhões no decorrer da execução. Apenas R$ 7,7 milhões foram liquidados - o equivalente a 15,4% da previsão original. Projetos e obras preventivas tinham previsão inicial de R$ 125 milhões, mas os recursos foram reduzidos para R$ 39 milhões - queda de quase 70%. Já a construção, ampliação e reforma de barragens tinha previsão inicial de R$ 23 milhões, montante que caiu para R$ 913 mil, dos quais apenas R$ 153 mil foram efetivamente usados – 0,66% do orçamento original. Ou seja, todo o recurso para adaptação foi duramente reduzido, enquanto o governo catarinense prepara um "kit anti-El Niño" que nada mais é que equipamentos voltados para a contenção de danos pós-desastre.

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