13 Mai 2026
A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) emitiu um apelo urgente ao Governo português para que use todos os meios diplomáticos e de cooperação à sua disposição de modo a garantir a segurança das comunidades afetadas pelo terrorismo na região de Cabo Delgado, em Moçambique.
A informação é publicada por 7 Margens, 12-05-2026.
O pedido surge no seguimento de um recente e violento ataque terrorista contra a Paróquia de São Luís de Monfort e a missão católica de Meza, na diocese de Pemba [ver 7Margens], que resultou na destruição total da igreja e das infraestruturas de apoio local. Durante o ataque, perpetrado por grupos ligados ao autodenominado Estado Islâmico, 20 jovens foram raptados e o seu paradeiro continua totalmente desconhecido, gerando profunda aflição junto das famílias da região.
A igreja da paróquia de São Luis de Monfort, em Cabo Delgado, foi destruída por alegados insurgentes do Estado Islâmico (Foto:Fundação AIS).
O apelo da CNJP, divulgado esta segunda-feira, 11 de maio, alerta para o fato de estar a aproximar-se uma fase de particular vulnerabilidade para a região, dado que o apoio financeiro de cerca de 20 milhões de euros concedido pela União Europeia às Forças de Defesa do Ruanda (RDF) — através do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz — tem o seu término previsto para este mês. Tal “não deixa auspiciar nada de bom, sabendo que as ações armadas já fizeram perto de 7.000 mortos nos últimos dez anos”, pode ler-se no documento.
Assinalando que a Comunidade Islâmica de Moçambique (Cimo) já condenou publicamente o recente ataque e manifestou preocupação com a violência na província de Cabo Delgado, a CNJP lamenta no entanto que a situação na região tenha perdido espaço nos blocos noticiosos internacionais.
“Quando todas as atenções se concentram no Golfo Pérsico e no massacrado Líbano, estes atos da mais bárbara violência ficam sem voz nos noticiários, pelo que nos juntamos à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) neste apelo”, refere o texto da Comissão Justiça e Paz, apelando diretamente ao Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal para que honre a História partilhada e os laços da Língua Portuguesa, exigindo uma atuação firme e solidária na salvaguarda dos direitos humanos fundamentais e na reposição da paz no norte de Moçambique.
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