13 Mai 2026
De marginais e conspiradoras com o diabo a símbolo de emancipação e poder dos movimentos feministas, a bruxa adentra a sala de aula na Faculdade de Teologia da Universidade de Genebra, na Suíça, pelas mãos da professora de Espiritualidade, Mariel Mazzocco. Ela faz um exame interdisciplinar das relações entre espiritualidade, gênero e poder ao longo da história ocidental e analisa como essas “bruxas” ou “mulheres místicas” perturbaram a ordem estabelecida.
A informação é publicada por Edelberto Behs.
“A bruxa não é uma figural natural. Ela é uma construção social e histórica”, explica a professora para a repórter Nathalie Oge, do jornal Reformado, da Suíça. Do final do século XV até meados do século XVII, em um contexto marcado por fomes, epidemias e convulsões religiosas, os julgamentos de bruxas proliferaram. Frequentemente pobres, rurais, viúvas ou sem proteção masculina, essas mulheres não alegavam ter poderes mágicos.
“Elas serviam de bodes expiatórios para comunidades dominadas pelo medo”, justifica Mazzocco. Parteiras e curandeiras, em particular, eram alvos principais dos caçadores de bruxas, por causa do medo relacionado à morte, ao parto e ao corpo feminino. “A alta mortalidade infantil fazia com que fossem culpadas por fracassos, suspeitas de usar feitiço ou, inversamente, de terem salvado vidas recorrendo à magia”, diz a professora.
Tais mulheres assustam a sociedade patriarcal, que tem seu poder “mágico” ou intelectual. Elas são perturbadoras e desestabilizam as normas de gênero, segundo Mazzocco. Ao longo dos séculos, a figura da bruxa se transformou, passando por uma dupla reapropriação. Os contos de fada apresentam-nas de forma ambivalente: ora como uma velha ameaçadora, ora como uma fada oculta, uma figura que testa heróis e heroínas. Essas histórias retratam uma feminilidade que oscila constantemente entre perigo e sabedoria, poder destrutivo e força transformadora.