Reunião Leão-Rubio em meio ao gelo e o silêncio. O Papa se recusa a ceder: "Eu trabalho pela paz"

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08 Mai 2026

"É difícil dizer se a reparação de uma ruptura que o presidente continua a ampliar foi alcançada".

O artigo é de por Mattia Ferraresi, jornalista italiano, publicado por Domani, 08-05-2026.

Eis o artigo.

A declaração da Santa Sé surge horas depois da reunião no Vaticano: "Prestem atenção aos países afetados por guerras e crises humanitárias." O número três da Casa Branca estará no Palazzo Chigi, onde receberá uma mensagem em favor da desescalada.

Os símbolos falam, como sabemos. De um lado, a "planta da paz", do outro, um peso de papel em forma de bola de tênis. Esses são os presentes trocados entre o Papa e o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

A conversa de quarenta e cinco minutos ocorreu após semanas de tensão provocadas pelas declarações erráticas de Donald Trump contra Leão XIV, culminando três dias antes com a entrevista na qual o presidente americano afirmou que "o papa está colocando muitos católicos em perigo", já que, segundo o magnata, ele era "favorável" à posse de uma bomba atômica pelo Irã.

Em seguida, veio uma caneta de madeira de oliveira, uma "planta da paz", nas palavras do próprio Pontífice. Ao entregar a caneta ao chefe da diplomacia americana, ele também revelou que ela ostentava seu brasão.

Um longo silêncio

Pouco depois da reunião, chegou uma nota discreta do Departamento de Estado, referindo-se à "parceria duradoura entre os Estados Unidos e a Santa Sé na promoção da liberdade religiosa". Foi após um silêncio significativo que durou várias horas que o comunicado da Santa Sé chegou. De fato, menciona as "discussões cordiais" realizadas no Vaticano pelo número três do governo Trump, durante as quais "renovaram o compromisso comum de cultivar boas relações bilaterais entre a Santa Sé e os Estados Unidos da América".

Mas, novamente, a "necessidade de trabalhar incansavelmente pela paz" é firmemente enfatizada. Esta é uma maneira de o pontífice lembrar que seu trabalho é "proclamar o Evangelho", isto é, a paz, como disse Prevost outro dia em resposta ao mais recente ataque de Trump, a quem reiterou (sem nomeá-lo) que "quem me criticar, que o faça, mas com a verdade".

A Sala de Imprensa do Vaticano também relata que "houve uma troca de opiniões sobre a situação regional e internacional, com atenção especial aos países marcados por guerras, tensões políticas e situações humanitárias difíceis". Uma mensagem clara, em suma.

Fontes do Vaticano confirmaram posteriormente que Rubio e Leão XIV também discutiram "situações de conflito no Oriente Médio, Irã, Líbano, mas também na África". Outro tópico crucial foi "a situação em Cuba" — cuja tomada de poder, nas palavras de Trump, é muito importante para Rubio — ou melhor, a "necessidade de apoiar o povo cubano neste momento difícil". Um momento difícil, este era o subtexto, causado pela grave crise energética, o embargo e as sanções impostas pela Casa Branca.

É claro que é difícil dizer se a reparação de uma ruptura que o presidente continua a ampliar foi alcançada. Após o encontro presencial com Prevost, Rubio reuniu-se com o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, passando um total de duas horas e meia no Palácio Apostólico.

Na leitura do Secretário de Estado americano, os interlocutores discutiram "esforços para alcançar uma paz duradoura no Oriente Médio", e em uma declaração os americanos enfatizaram "a solidez das relações entre os Estados Unidos e a Santa Sé, bem como seu compromisso compartilhado com a paz e a dignidade humana". Paz e dignidade humana são também as palavras escolhidas por Rubio para resumir o encontro nas redes sociais.

Fotos Oficiais

Não se deve tirar muitas conclusões das expressões faciais nas fotos oficiais, mas essa é a única janela que o Vaticano oferece para os convidados recebidos pelo Papa. Nas fotos posadas, Leão mal esboça um sorriso torto, enquanto o geralmente expressivo Rubio usa uma máscara séria, quase carrancuda. Se há alguma ruga em seus lábios, ela se inclina para baixo.

Afinal, a expressão facial deve ser de alguma forma coerente com a mensagem que o Secretário de Estado veio transmitir ao Papa, que foi o que seu chefe, Donald Trump, resumiu do Salão Oval enquanto o emissário viajava: "É muito simples. Quer isso o faça feliz ou não, o Irã não pode ter uma arma nuclear. Ele pareceu sugerir que eles poderiam ter uma. Eu digo que não podem, porque se isso acontecesse, o mundo inteiro seria feito refém. E não permitiremos que isso aconteça. Essa é a minha única mensagem."

Esta manhã, Rubio também se reunirá com a primeira-ministra Giorgia Meloni e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, em um encontro que o governo fez questão de apresentar como uma visita de cortesia, reduzindo preventivamente o tom e as expectativas.

O governo italiano não tem interesse em transformar a visita do secretário de Estado — organizada para o Vaticano — em mais uma ocasião de confronto, após semanas em que as tensões transatlânticas corroeram a relação com Trump que Meloni construiu pacientemente.

Meloni já defendeu publicamente o papa, chamando as palavras de Trump contra Leão XIV de "inaceitáveis", uma posição que levou a um confronto direto com o presidente dos EUA. Diante das declarações hiperbólicas de Trump, um sinal de fraqueza política refletido em suas ações inconclusivas e em sua queda constante nas pesquisas, defender o pontífice era inevitável para a primeira-ministra. Adotar uma posição diferente teria um custo político insustentável para um governo que atingiu o ápice de sua fraqueza.

Abrindo caminho para o encontro estava Tajani, que ontem, na abertura da reunião Itália-FAO-MED9 no Estreito de Ormuz, afirmou que "a solução diplomática é o único caminho para uma paz duradoura" e anunciou que transmitiria essa mensagem ao Secretário de Estado.

"Acreditamos firmemente nas relações transatlânticas", acrescentou Tajani. "Então, se houver pontos em que discordamos, dizemos isso, mas isso não significa que a aliança transatlântica esteja enfraquecida, porque a Europa precisa dos EUA, mas é igualmente verdade que os EUA precisam da Europa."

O governo pretende usar a reunião para reiterar sua posição sobre a guerra no Irã, orientada para a desescalada e a diplomacia, sem, no entanto, transformar a divergência em uma ruptura. Não será fácil. 

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