08 Mai 2026
Marco Rubio, o secretário de Estado americano que se encontra com o Papa na quinta-feira, certamente não está se sentindo bem após as últimas declarações do presidente. Um novo jogador assumiu um lugar à mesa de negociações internacionais.
O artigo é de Marco Politi, escritor e especialista em Vaticano, publicado por Il Fatto Quotidiano, 05-05-2026.
Após o presidente Trump ter "bombardeado" o Papa Leão XIV com tanta veemência, é difícil imaginar como uma relação verdadeiramente tranquila entre os Estados Unidos e a Santa Sé possa ser restabelecida. Marco Rubio, o secretário de Estado americano que se encontrará com o pontífice nesta quinta-feira, certamente não está se sentindo bem após os últimos comentários do presidente, segundo os quais Leão "está colocando em risco muitos católicos e muitas pessoas", porque "ele prefere falar sobre como é aceitável que o Irã possua uma arma nuclear...". "O Papa continua em seu caminho", comentou o Cardeal Parolin. "Se alguém quiser me criticar por proclamar o Evangelho, que o faça com a verdade", disse o pontífice mais tarde a repórteres, refutando a tese de Trump porque "a Igreja se manifesta contra todas as armas nucleares há anos".
Na realidade – para além das piadas do presidente – Washington e o Vaticano estão em rota de colisão, com raízes profundas. Assim que Trump foi reeleito, espalhou-se rapidamente nos círculos do Vaticano a sensação de que estávamos caminhando para uma "nova era". Isso se deve principalmente à visão pós-democrática dos chefões das grandes empresas de tecnologia, que defendem a desregulamentação drástica e a prevalência da eficiência tecnológica e da vontade individual – uma vontade empreendedora cujo poder não deve ser limitado – em detrimento do sistema democrático de freios e contrapesos representado pelo Parlamento, pelo Judiciário, pela liberdade de imprensa e pela liberdade acadêmica.
Em segundo lugar, o Vaticano reconheceu que a abordagem de Trump divergia da antiga ordem internacional baseada em regras (mesmo que violada ou contornada hipocritamente, veja-se o caso de Bush Jr. no Iraque e o de Putin na Ucrânia) e visava substituir o multilateralismo por um sistema de figurões que dividem o mundo em zonas de influência.
O que chamou a atenção no Vaticano foi a absoluta falta de contenção, e não a ausência de etiqueta. Considere as declarações de Trump sobre a anexação do Panamá, Canadá, Groenlândia e Cuba, o ataque a Caracas e o sequestro do presidente Maduro, culminando no mais recente ataque ao Irã durante uma fase de negociação e completamente fora do direito internacional.
O fato é que, ao longo de 2026, Trump enfrentou um crescendo de declarações papais contrárias à sua posição política. Leão XIV começou em janeiro, denunciando — perante o corpo diplomático — o crescente fervor pela guerra e enfatizando que a paz estava sendo imposta "pelas armas, como condição para a afirmação do próprio domínio". Assim que a guerra contra o Irã começou, o pontífice enfatizou que o Deus cristão "rejeita a guerra, que ninguém pode usá-la para justificar a guerra e que Ele não ouve as orações daqueles que fazem guerra". Este foi um ataque direto do pontífice ao uso da religião para obter poder por parte dos apoiadores de Trump.
Então, quando, diante da declaração do presidente americano sobre seu desejo de aniquilar a civilização iraniana, Leão XIV considerou a ameaça inaceitável e classificou a guerra como injusta e os ataques à infraestrutura civil iraniana como ilegais, Trump viu o Papa como um antagonista direto. Isso se tornou ainda mais evidente porque Leão fez algo que nenhum outro pontífice da era contemporânea havia feito: apelou ao povo para que pressionasse parlamentares e autoridades estatais a trabalharem pela paz e "rejeitarem a guerra".
O primeiro ataque mordaz de Trump contra o Papa (13 de abril) surgiu daí. Ele estava furioso ao descobrir que, no tabuleiro de xadrez internacional onde o presidente americano pensava poder jogar sem impedimentos — com Putin ao seu lado, a China observando em silêncio e uma Europa perplexa e hesitante —, um peão inesperado havia surgido: uma voz claramente contrária à guerra, uma voz claramente audível no cenário mundial. Pior ainda para Trump foi o que se seguiu: ouvir um pontífice dizer que não o temia e que não desejava discutir com ele, enquanto lançava uma denúncia contundente: "Um punhado de tiranos está devastando o mundo".
O voto católico do presidente americano está em jogo nas próximas eleições de meio de mandato para a Câmara e o Senado. Uma parcela do eleitorado católico conservador continuará apoiando os republicanos, segundo algumas pesquisas. Mas um segmento do eleitorado católico, especialmente hispânico, pode se afastar. Nos Estados Unidos, o voto religioso tem peso. Não é coincidência que Trump tenha feito suas novas críticas ao Papa em uma entrevista a uma emissora de TV cristã conservadora.
No entanto, a opinião pública internacional também está voltando seus olhares para a Santa Sé. É um sinal preocupante para Washington que a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, tenha declarado o pontífice não apenas como líder dos católicos, mas também como um "símbolo de coragem moral e clareza em uma época em que tais bússolas são cada vez mais necessárias".
Amanhã, no Vaticano, Rubio será recebido com cortesia, como sempre. "Espero um bom diálogo, com confiança e abertura, para que possamos nos entender melhor", afirma o pontífice com serenidade. É essa serenidade, misturada com tenacidade, que alarma Trump. Leão não pode ser acusado de ser anti-ianque, nem de se entregar a explosões espontâneas. Na mesa de negociações internacionais, onde Trump pensava ter as melhores cartas, um novo jogador tomou seu lugar. Muito tranquilo e muito determinado.
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