Leão XIV: cuidar dos pobres, encontrar soluções para situações desumanas

Foto: Vatican News

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07 Mai 2026

Para um Papa que fez do diálogo "a todo custo", e com qualquer pessoa, uma das pedras angulares do primeiro ano de seu pontificado, o pedido dos Estados Unidos para um encontro com o Secretário de Estado, o católico Marco Rubio, só pode ser uma "boa notícia". Do lado do Vaticano, de fato, as esperanças e o empenho por uma reaproximação, após as tensões causadas pelos ataques frontais do presidente Donald Trump ao Pontífice, nunca foram interrompidos.

A reportagem é de Agnese Palmucci, publicada por Avvenire, 05-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Assim, na próxima quinta-feira, na véspera do aniversário do primeiro ano do pontificado de Prevost, no dia 8 de maio, o primeiro Papa estadunidense receberá Rubio em audiência, que em seguida se reunirá também com o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin. Entre os temas do encontro com Leão XIV, além do confronto sobre as incompreensões políticas das últimas semanas, segundo informações do USA Today, será abordada também a situação de Cuba, que desde janeiro está sob bloqueio de importação de petróleo e de ajudas humanitárias imposto por Trump. Abordarão também a situação no Oriente Médio, com o conflito no Irã sendo duramente criticado pelo Pontífice.

Não é coincidência que quem conversará com o Papa Leão XIV será o Secretário de Estado de origem cubana, que recentemente tem se mostrado cauteloso diante do comportamento de palanque de Trump e do vice-presidente estadunidense J.D. Vance, recém-convertido ao catolicismo. Depois que o magnata se dirigiu ao Papa em 13 de abril, chamando-o de "fraco, péssimo em política externa", Vance reforçou a dose, "aconselhando" Prevost a "ser cauteloso ao falar sobre questões teológicas" em relação à legitimidade da guerra no Irã e a se limitar "a questões morais".

Portanto, numa tentativa de restaurar as relações diplomáticas, abaladas pelas declarações do presidente estadunidense, a Casa Branca optou por enviar Rubio, um político veterano de origem latino-americana, como grande parte dos católicos nos Estados Unidos. Por outro lado, além de tentar abaixar o tom, o governo Trump busca restabelecer relações com o eleitorado católico, cuja aprovação ao magnata caiu significativamente nos últimos meses, em parte devido aos seus ataques ao Papa, e com os bispos estadunidenses. O encontro de quinta-feira provavelmente incluirá as preocupações do Vaticano sobre a proteção dos direitos humanos nos Estados Unidos e a situação dos cristãos no Oriente Médio. Em meados de abril, o governo estadunidense bloqueou 11 milhões de dólares de fundos para a rede Catholic Charities USA, parte da Caritas Internationalis. Uma decisão que também provocou indignação entre muitos bispos estadunidenses.

Em discurso ao Conselho Diretor da rede ontem, em audiência, Leão XIV lembrou que proclamar o Evangelho "por meio do cuidado com os pobres e os mais necessitados" sempre apresentará "certas dificuldades, tanto em nível pessoal quanto institucional". Depois afirmou estar "ciente" de que as agências de caridade ligadas à Igreja Católica nos Estados Unidos "não estão de forma alguma imunes a todos esses desafios que continuam a surgir mesmo em nossos dias".  O encontro também foi uma oportunidade para encorajar os operadores a sentirem a proximidade de Cristo enquanto buscam "encontrar soluções para situações desumanas, para aliviar o sofrimento de indivíduos e famílias e amenizar o fardo daqueles oprimidos por dificuldades e conflitos."

A dignidade humana está entre os temas centrais do pontificado de Leão XIV, e um tema sobre o qual o Papa nunca deixou de se expressar com clareza, inclusive por meio da escolha dos novos bispos. Em 2 de maio, por exemplo, Prevost nomeou Evelio Menjivar-Ayala, de origem salvadorenha, emigrado ilegalmente para os Estados Unidos em 1990, como bispo da diocese estadunidense de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental. No mesmo dia, nomeou o padre Robert Paul Boxie III, que várias vezes polemizou com Trump sobre a questão dos migrantes, como o novo prelado auxiliar de Washington.

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