07 Mai 2026
Para entender para onde a Igreja está se encaminhando nos Estados Unidos — a quarta maior Igreja nacional em termos numéricos, aproximadamente 72 milhões de fiéis, depois de Brasil, México e Filipinas, e uma força significativa, não apenas por razões geopolíticas — é fundamental observar a evolução de seu clero.
A informação é de Andrea Galli, publicado por Avvenire, 05-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Um olhar abrangente é propiciado por dois documentos recentes. O primeiro é o levantamento realizado entre fevereiro e março pelo Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado (CARA) da Universidade de Georgetown, em colaboração com a Conferência Episcopal dos EUA, ao qual foram convidados a participar todos os 428 candidatos à ordenação sacerdotal em 2026, diocesanos e religiosos. Responderam à pesquisa 338 candidatos, ou seja, 78% do total.
Do ponto de vista demográfico, 62% dos ordinandos se identificam como caucasianos, seguidos por hispânicos (17%) e asiáticos (11%), enquanto africanos e afro-americanos representam apenas 5%. Mais de um terço deles (35%) nasceram no exterior: as origens mais frequentes são Vietnã (5%), México (3%) e Colômbia (2%). Em média, esses candidatos imigraram para os Estados Unidos aproximadamente 14 anos antes da ordenação, por volta dos 22 anos de idade.
Quanto à formação acadêmica, 65% frequentaram escolas católicas, enquanto 63% cursaram a catequese paroquial por uma média de seis anos. Uma parcela significativa (11%) recebeu educação domiciliar por longos períodos. 61% obtiveram um diploma superior ou de pós-graduação antes de ingressar no seminário, em áreas que variam da filosofia à engenharia, economia e ciências. 64% tinham empregos em tempo integral antes de entrar no seminário e 4% serviram nas forças armadas.
O contexto familiar desempenha um papel decisivo no desenvolvimento da vocação. Quase todos os ordinandos (93%) foram batizados nos primeiros meses de vida e 86% foram criados em famílias onde ambos os pais se reconheciam como católicos. Famílias estáveis: 97% foram criados pelos pais biológicos. Além disso, mais de um quarto (28%) relatou a presença de um sacerdote ou religioso entre seus parentes, indicando famílias onde a fé e a Igreja eram "de casa".
As vocações amadureceram dentro de uma rede de relações que se estende além da própria família. 92% dos ordinandos relataram ter recebido incentivos para considerar o sacerdócio, principalmente do pároco (70%), mas também de amigos (49%), da mãe (46%) e de outros membros da comunidade paroquial (44%).
No âmbito espiritual, desponta uma prática religiosa já consolidada antes de ingressar no seminário: 81% participavam regularmente da adoração eucarística e 79% rezavam o terço; pouco mais da metade participava de grupos de oração ou estudo bíblico (52%). O serviço litúrgico no altar confirma-se como fecundo, dentro do esperado: dos novos sacerdotes, 79% serviram como coroinhas antes de iniciarem sua trajetória rumo ao sacerdócio.
O número de ordenações de 2026 está essencialmente em linha com a tendência recente, que oscila entre 430 e 460 por ano, indicando certa estabilização, embora represente metade do número de ordenações que se registravam no início da década de 1980. O segundo documento que aborda a evolução do clero nos EUA é o estudo publicado em outubro passado pela Universidade Católica da América (Moral, liderança e prioridades pastorais: destaques do estudo nacional de sacerdotes católicos de 2025), que atualizou uma pesquisa anterior de 2022. A atualização, realizada entre maio e junho do ano passado, envolveu 1.164 sacerdotes de todas as faixas geracionais.
Particularmente interessante é a fotografia do que os entrevistados acreditam serem as prioridades para a Igreja nos EUA, uma lista de 15 pontos. Em último lugar encontramos a "Missa no rito antigo" (26%) e em penúltimo a "Comunidade LGBTQ+" (48%), ou seja, dois dos temas que mais geram debate ou conflito na informação eclesial. Os três pontos principais, empatados, com 94% dos "sim" de padres de todas as idades, são "Pastoral juvenil e de jovens adultos", "Formação familiar/preparação para o matrimônio" e "Evangelização". Logo em seguida, também empatados (88% e 87%), indicando um equilíbrio de sensibilidade, estão "Pobreza/sem-teto/insegurança alimentar" e "Temas pró-vida (início e fim da vida)".
A pesquisa também identifica algumas características específicas dos novos padres. Nas conclusões pode-se ler: "Embora o nível de bem-estar pessoal dos sacerdotes nos Estados Unidos permaneça geralmente alto, a confiança nos bispos ou superiores maiores permanece baixa, apesar de mostrar sinais de melhoria. Padres mais jovens relatam situações de burnout e solidão com mais frequência do que as gerações anteriores e, em maior medida, têm a percepção de serem sobrecarregados por tarefas excessivas. Com a aposentadoria progressiva dos sacerdotes mais idosos, é previsível que justamente sobre eles recaiam responsabilidades ainda maiores nos próximos anos. Não é difícil imaginar, portanto, um aumento ainda maior do risco de esgotamento à medida que o número de padres em atividade diminui".
De modo geral, os sacerdotes estadunidenses "compartilham uma visão pastoral ampla e orientada para a missão, mas surge um desnível entre as aspirações e sua realização concreta. Por exemplo, apesar de considerarem o trabalho com jovens e jovens adultos uma prioridade, apenas 71% dos que atuam em paróquias dispõem efetivamente de atividades dedicadas a essas áreas. Um elemento central do pontificado do Papa Francisco, a sinodalidade, teve uma recepção morna no plano teórico nos Estados Unidos, mas parece estar mais enraizada na prática. Embora sem grande entusiasmo pelo processo sinodal global de 2021-2024, muitos sacerdotes declaram um envolvimento significativo dos leigos nas decisões paroquiais e em outros aspectos da vida eclesial que pode estar ligado à sinodalidade".
Do ponto de vista cultural e político, os padres estadunidenses "tendem a combinar orientações 'conservadoras' com uma abordagem pastoral ampla e inclusiva. Os mais jovens se definem com mais frequência como conservadores ou muito conservadores, embora suas posições sobre o governo atual [Trump] sejam mais articuladas do que se poderia imaginar. Por fim, emerge um forte desejo de crescimento espiritual: 61% dos sacerdotes gostariam de maior formação nessa área e 55% solicitam mais oportunidades, como encontros ou retiros. Os sacerdotes estadunidenses estão cientes de que não podem permanecer parados em sua trajetória de fé. Esse é um lembrete válido para todos os católicos: seus pastores também estão em caminho e continuam precisando das orações, do apoio e da amizade dos fiéis."
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