28 Abril 2026
Um relatório do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR) conclui que o endurecimento das sanções dos EUA contra Cuba, de 2017 a 2025, é a principal causa do aumento de 148% na mortalidade infantil no país, afetando cerca de 1.800 bebês.
A reportagem é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 28-04-2026.
O endurecimento das sanções e o bloqueio contra Cuba pelos EUA desde 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump, são fatores-chave para o aumento significativo da mortalidade infantil na ilha. Essa é a conclusão de um novo relatório do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), de autoria dos pesquisadores Alex Main, Joe Sammut, Mark Weisbrot e Guillaume Long.
Desde o primeiro mandato de Trump, a mortalidade infantil aumentou 148% entre 2018 e 2025. O relatório estima que, se a taxa tivesse permanecido nos níveis anteriores, aproximadamente 1.800 bebês a menos teriam morrido durante esse período: “Durante esse período, as medidas econômicas coercitivas unilaterais dos Estados Unidos contra Cuba foram substancialmente intensificadas pelo presidente Trump e permaneceram em vigor quase que integralmente durante o mandato do presidente Biden, antes de serem reforçadas novamente durante o segundo mandato de Trump. Se a taxa de mortalidade infantil em Cuba tivesse permanecido estável nos últimos oito anos, aproximadamente 1.800 bebês a menos teriam morrido.”
O relatório não abrange o ano de 2026, quando o aperto das restrições por Trump resultou em um bloqueio energético que deixou a ilha praticamente sem suprimentos de petróleo.
“A política de ‘pressão máxima’ de Trump sobre Cuba matou muitos bebês e, embora ainda não tenhamos os dados dos últimos meses, é muito provável que mais bebês estejam morrendo agora, em uma taxa ainda maior do que no ano passado, como resultado do bloqueio contínuo dos EUA ao combustível destinado a Cuba”, explica Alex Main, diretor de Política Internacional do CEPR e um dos autores do relatório: “A questão é quantos bebês mais terão que morrer antes que o atual cerco econômico contra Cuba termine.”
Segundo o relatório, “devido aos efeitos do bloqueio energético dos EUA, é muito provável que a taxa de mortalidade infantil em Cuba tenha aumentado significativamente desde dezembro de 2025, quando atingiu 9,9 por mil nascidos vivos. Outros indicadores-chave de saúde, como a expectativa de vida e a mortalidade materna, também provavelmente pioraram desde o início do ano.”
O relatório indica que, historicamente, a taxa de mortalidade infantil em Cuba tem sido "uma das mais baixas da América Latina e inferior à dos Estados Unidos", mas que "desde 2018, a taxa cubana aumentou de uma média anual de 4 por 1.000 nascidos vivos para 9,9 em 2025".
O estudo afirma que a pressão de Trump sobre Cuba incluiu restrições que contraíram substancialmente um setor-chave, como o turismo; limitaram severamente a exportação de bens para Cuba, incluindo medicamentos essenciais e equipamentos médicos; cortaram o acesso de Cuba aos mercados financeiros internacionais, recolocando o país na lista de Estados patrocinadores do terrorismo; diminuíram as remessas de dinheiro; pressionaram outros países a encerrar seus acordos de cooperação médica com Cuba; e impuseram um embargo de combustível recente que impede o petróleo venezuelano de chegar à ilha.
O Senado americano deverá votar uma Resolução sobre Poderes de Guerra, proposta pelos senadores Tim Kaine, Adam Schiff e Ruben Gallego, para impedir qualquer ação militar das forças armadas dos EUA contra Cuba sem autorização prévia do Congresso.
“A resolução argumenta que o bloqueio atual constitui participação militar em hostilidades, o que é ilegal sob a Constituição dos EUA, pois não foi autorizado pelo Congresso”, afirma Mark Weisbrot, codiretor do CEPR. “A punição coletiva de civis é proibida pela Quarta Convenção de Genebra em conflitos armados e pode ser processada como crime de guerra. Esse conceito parece aplicável agora com o atual bloqueio naval envolvendo as forças armadas dos EUA.”
“O confinamento teve um impacto particularmente severo na infraestrutura médica e de assistência, uma vez que as frequentes interrupções de energia comprometem o uso de equipamentos essenciais para o tratamento de pacientes, incluindo incubadoras para bebês prematuros e ventiladores que ajudam recém-nascidos doentes a respirar”, explica Guillaume Long, pesquisador sênior do CEPR e autor do relatório.
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