15 Abril 2026
Evento climático é potencializado por conta da crescente concentração de gases do efeito estufa na atmosfera.
A informação é publicada por ClimaInfo, 14-04-2026.
Uma nova atualização da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta uma probabilidade de 62% de que o El Niño surja em maio, com possibilidade de se tornar um “Super El Niño”entre novembro deste ano e janeiro de 2027. As condições atuais são de fim do La Niña para um “padrão neutro”.
Caso se confirme, o fenômeno pode quebrar recordes de temperatura em 2027 e gerar uma série de eventos climáticos extremos, desde tempestades intensas a secas extremas, a depender da região do mundo. Problemas que serão agravados pelas mudanças do clima, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento incomum das águas superficiais do Oceano Pacífico na região da linha do Equador, lembra a CNN Brasil. No Brasil, ele coloca norte e sul do país em polos contrários: enquanto as regiões Norte e Nordeste se tornam mais secas, com possibilidade de quebra de safras e insegurança hídrica, na região Sul aumentam os riscos para enchentes. Além das ondas de calor que podem atingir todo o território, o Sudeste e o Centro-Oeste podem sofrer com chuvas irregulares.
As chances de um Super El Niño são de 25%, com possibilidade das temperaturas da superfície do mar aumentarem até 2°C. Professor de Ciências Atmosféricas e Ambientais da Universidade de Albany, Paul Roundy avaliou nesta semana que havia um “potencial real” para o El Niño mais forte dos últimos 140 anos.
Cientistas da NOAA ressaltam, porém, que as previsões da primavera no Hemisfério Norte não são muito nítidas, devido às transições naturais que acontecem nesta época do ano. Além disso, especialistas salientam que as leituras tendem a ser mais distorcidas, devido à crescente concentração de gases do efeito estufa na atmosfera.
“Temos esta tendência subjacente de aquecimento que faz com que os El Niños pareçam maiores do que realmente são, e que os La Niñas pareçam menores do que realmente são, porque tudo está ficando mais quente”, ressaltou Joel Lisonbee, cientista associado sênior do Instituto Cooperativo de Pesquisa da Universidade do Colorado no Guardian.
“A comunidade da OMM [Organização Meteorológica Mundial] estará monitorando atentamente as condições nos próximos meses para embasar a tomada de decisões. O El Niño mais recente, em 2023-24, foi um dos cinco mais fortes já registrados e desempenhou papel importante nas temperaturas globais recordes que vimos em 2024”, disse a secretária-geral da entidade, Celeste Saulo.
Ela ressaltou que as previsões para El Niño e La Niña ajudam a evitar milhões de dólares em perdas econômicas e são ferramentas essenciais de planejamento para setores sensíveis ao clima, como agricultura, saúde, energia e gestão de recursos hídricos. “Elas também são uma parte fundamental da inteligência climática fornecida pela OMM para apoiar operações humanitárias e gestão de riscos de desastres, salvando assim vidas”, disse Celeste.
Por aqui, a possibilidade de seca na Região Norte já é vista com preocupação no Pará, explica o Pará Terra Boa. Um relatório divulgado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) informou que brigadistas temporários foram contratados para ação de prevenção a incêndios florestais.
No Sudeste, a chance de um super El Niño coloca em alerta o abastecimento de água na Grande São Paulo. Em especial o Sistema Cantareira, que opera com cerca de 51,5% de sua capacidade, ante 58,6% em igual período de 2025, informam O Cafezinho e Metrópoles.
Um levantamento do Observatório do Clima (OC) mostrou que o Brasil tem quase 1,6 mil municípios em vulnerabilidade climática e fiscal. Os piores indicadores estão na região Norte.
Rádio Itatiaia, 18 Horas, AM Post, g1 e Estado de Minas também noticiaram a possibilidade crescente de um super El Niño neste ano.
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