13 Abril 2026
"A pregação de Leão XIV paga pelas dificuldades de um confronto mais difícil com uma laicidade que, na França, Alemanha e também na Espanha, está focada em questões como os direitos LGBTQ+ e a eutanásia", escreve Marcello Sorgi, jornalista italiano, em artigo publicado por La Stampa, 11-04-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
O príncipe da laicidade francesa, o Presidente Macron, em visita a Roma só para se encontrar com o Papa estadunidense Leão XIV (bem como com líderes da Comunidade de Santo Egídio, sempre ativos no plano internacional), dá um sinal da dimensão a que chegou a preocupação do Vaticano com a escalada de Trump. Na noite de terça-feira, antes mesmo do cessar-fogo entre EUA e Irã estar pronto, o presidente estadunidense, falando sobre o Irã, chegou a ameaçar com "a destruição de uma civilização". E o Pontífice considerou "inaceitáveis” declarações como essas, dirigindo-se diretamente aos cidadãos estadunidenses e instando-os a se fazerem ouvir "por seus representantes", ou seja, pelos membros do Congresso. Um desafio pessoal ao ocupante da Casa Branca, para tentar conter sua fúria (Fúria Épica é, não por acaso, o nome escolhido para o ataque a Teerã).
Segundo algumas fontes do Vaticano, Leão agora busca solidariedade na Europa, principalmente da França e da Alemanha, visto que está ciente da proximidade da Itália de Meloni com Trump. O esquema aplicado pela diplomacia do Vaticano — recentemente enriquecido pelo novo núncio em Washington, Gabriele Caccia, que tem na bagagem seu papel de observador da ONU e da escola da Ostpolitik, ou seja, da confrontação, dos cardeais Casaroli e Silvestrini — é o do Papa João Paulo II durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991. Foi quando Wojtyla, exercendo forte pressão sobre a Casa Branca, conseguiu convencer George W. Bush pai a parar após a invasão do Kuwait e a não prosseguir com o Iraque. Mais de uma década depois, erro cometido por George W. Bush filho e pelo general Colin Powell.
Não é segredo, porém, que a diplomacia de Wojtyla se baseava no prestígio da árdua batalha final pela conclusão da Guerra Fria, na qual o Papa havia se empenhado pessoalmente. Mas a pregação de Leão XIV paga pelas dificuldades de um confronto mais difícil com uma laicidade que, na França, Alemanha e também na Espanha, está focada em questões como os direitos LGBTQ+ e a eutanásia, um horizonte que não existia na época de João Paulo II. E é essa dificuldade que torna o empenho do Papa ainda mais obstinado, pois desde o dia de sua eleição para a Sé de Pedro, ele escolheu a paz como fronteira de seu pontificado, sem rendição, sem renúncia.
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