#sem um porquê. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Jenny Cooler | Pixabay

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06 Abril 2026

A rosa não tem porquê; floresce porque floresce. / Não se importa consigo mesma, não pede para ser vista.

O artigo é de Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, publicado por Il Sole 24 Ore, 31-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Embora a primavera tenha chegado e os botões tenham desabrochado, a rosa no meu terraço ainda não começou aquele florescimento que durará todo o verão. Enquanto isso, contemplando-a e pensando no movimento secreto, porém poderoso, da natureza, retorno ao dístico de um grande poeta e místico, Johannes Scheffler, conhecido como Angelus Silesius, o Anjo da Silésia, a terra onde nasceu em 1624 e onde morreu em 1667 (ele havia se formado em medicina em Pádua). Esses versos cantam a gratuidade pura e absoluta da beleza natural. Até mesmo o filósofo (e pintor) francês Jean Guitton (1901-99) se perguntava por que Deus criou, além da luz, também a cor, que é um suntuoso "extra".

A rosa que floresce mesmo fora dos jardins — como todas as flores exuberantes da floresta tropical que nenhum olhar humano jamais acariciará — é a desmentida de uma criação da realidade com uma função puramente "econômica". Infelizmente, atribuímos um propósito prático a tudo e, portanto, um preço a cada coisa. O gesto livre e gratuito, o dom no verdadeiro sentido do termo, oferecido sem segundas intenções e sem esperar nada em troca, o ato criativo de amor que não pede recompensa, mas é em si mesmo recompensa, são cada vez mais raros. Buscamos sempre um "porquê" e, acima de tudo, queremos ser vistos e agradecidos. Como não pensar nas palavras de Cristo: "Mas, quando deres um banquete, chama os pobres, aleijados, coxos e cegos, e serás bem-aventurado; porquanto não têm com que te recompensar" (Lucas 14,13-14)?

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