#à noite. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Paul Lichtblau | Pexels

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02 Abril 2026

A confusão em que os homens estão mergulhados vem do fato de que, à noite, não sabem por que se levantaram de manhã e por que recomeçarão amanhã.

O artigo é de Gianfranco Ravasi publicado por Il Sole 24 Ore, 29-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Estar sem bússola em um mar tempestuoso sob um céu sem estrelas: pode ser uma imagem retórica e batida, mas expressa muito bem a situação de quem não sabe como alcançar uma meta e um porto seguro. Essa experiência, muito mais comum do que se imagina, é bem definida pela observação que propomos hoje, extraída de um texto de Paul Ricoeur, filósofo francês nascido em 1913 e falecido em 2005, que também se tornou famoso na Itália por seus inúmeros ensaios de profunda intensidade e originalidade, muitas vezes na tênue linha que separa a filosofia e a teologia. Com essas palavras, ele descreve um verdadeiro rebanho de pessoas que se arrastam de um dia para o outro, realizando ações, proferindo palavras, sentindo sensações, sem jamais encontrar aquele nexo de sentido e valores que pode unir as múltiplas dimensões de suas ações e de suas existências.

Se alguém caiu nessa espiral que arrasta para as profundezas do vazio interior, precisa parar por alguns instantes todos os dias, talvez à noite, quando já passou pelo fluxo das horas vividas sem meta ou propósito. Deve procurar redescobrir a sua alma, que talvez tenha sido deixada para trás ou perdida ao longo do caminho. Deve voltar a se julgar, a pensar, a conceber, a se questionar, a planejar.

Outro filósofo francês – o grande Pascal – disse que a maioria dos infortúnios provém da incapacidade de passar uma hora sozinho num quarto a refletir sobre si mesmo. E se quisermos abrir uma janela para o horizonte da espiritualidade, lembremo-nos da advertência de Cristo: "Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará" (Mateus 6,6).

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