Judas e Pedro não são tão diferentes quanto pensamos. Artigo de Ramón Fandos

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02 Abril 2026

Pedro e Judas têm muito em comum. Compartilham a mesma esperança e a mesma confusão: ambos sonham com um Messias capaz de libertar o povo pela força. Ambos amam Jesus, mas, na realidade, enxergam apenas a imagem que construíram Dele, não o Jesus que está diante deles. Ainda não descobriram o verdadeiro, aquele que dará a vida por amor. E ambos cometem o mesmo erro.

O texto é de Ramón Fandos, professor, publicado por Religión Digital, 31-03-2026.

Eis o artigo. 

Judas, como argumentei no artigo "Judas não era o traidor que sempre pensamos", age convicto de que, ao trair Jesus, o forçará a agir de acordo com suas expectativas de rebelião violenta. Pedro jamais cogitou traí-lo, mas compartilha com Judas o mesmo desejo de libertação pela força; por isso, carrega uma espada e promete dar a própria vida.

Ambos falham como amigos. Judas trai Jesus; Pedro o nega. É importante lembrar que a negação pública destruiu a honra e a confiança entre um mestre e seu discípulo. Portanto, fica claro que ambas as ações são dolorosas e desleais, cada uma à sua maneira.

Jesus não os condena. Ele faz Pedro perceber que não espera que ele seja um herói e, com isso, abre uma porta para a esperança, uma porta que ele pode atravessar quando o nega e descobre suas próprias limitações. Quanto a Judas, se ele tivesse confiado nele, Jesus teria lhe mostrado o caminho de volta.

A diferença trágica é que Pedro pôde encontrar Jesus novamente e descobrir que ele não o condenava e que ainda o amava incondicionalmente, enquanto Judas, por outro lado, permaneceu preso na escuridão da sua própria noite, convencido de que seu erro era imperdoável, e não deu a Jesus a oportunidade de salvá-lo de si mesmo.

Há sofrimentos tão grandes que a mente humana não consegue compreendê-los, é verdade. E muitas vezes a dor é tão intensa que, sem dúvida, não pode ser aliviada. Mas se alguma vez experimentamos o Amor de Deus, sabemos que ele pode curar, sustentar e restaurar a vida. É por isso que falhamos gravemente na caridade quando a aprisionamos e a impedimos de agir.

Um grande sábio expressou isso lindamente: Um homem bom descobriu a arte de fazer fogo e começou a compartilhá-la altruisticamente com todos. O povo era grato porque o fogo mudou suas vidas. Mas os sacerdotes, ao saberem disso, temeram perder seu poder. Mataram-no e guardaram suas ferramentas para fazer fogo em uma urna que chamaram de "sagrada", que somente eles podiam tocar. Então construíram um belo templo com um altar magnífico e colocaram a urna lá. A partir de então, todos vinham devotamente para orar e adorar, mas ninguém mais conseguia fazer fogo, nem o povo, nem os sacerdotes.

Não fizemos o mesmo com o Amor de Deus? Talvez o tenhamos aprisionado em rituais, preceitos, regras, moralismo, palácios, ornamentos, preconceitos, dogmas, proibições... E aprendemos a adorá-lo com grande devoção, mas a chama se apagou.

"Não estavam ardendo os nossos corações quando ele nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras?" (Lc 24,32). 

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