31 Março 2026
Donald Trump se tornou presidente dos Estados Unidos com amplo apoio da indústria de petróleo e gás fóssil. A princípio, parecia que sua devolutiva a esse apoio seria “apenas” parar o avanço das fontes renováveis de energia nos EUA e autorizar a exploração de combustíveis fósseis onde fosse possível, com o lema “Drill, baby, drill!”. No entanto, as pretensões do “agente laranja” parecem bem maiores, colocando em sua mira quaisquer países com grandes reservas. Resultado: instabilidade geopolítica permanente e preços do petróleo indo às alturas.
A informação é publicada por ClimaInfo, 30-03-2026.
Em entrevista ao Financial Times no domingo (29/3), reproduzida pela Folha, Trump afirmou que sua preferência seria tomar o petróleo do Irã, comparando a possível medida à Venezuela, onde os EUA pretendem controlar a indústria petrolífera “indefinidamente” após a captura do presidente Nicolás Maduro em janeiro. Tal medida envolveria tomar a ilha de Kharg, por onde a maior parte do petróleo iraniano é exportada.
Trump tem reforçado as forças estadunidenses no Oriente Médio. O Pentágono ordenou o envio de 10 mil soldados treinados para tomar e manter território. Cerca de 3.500 soldados chegaram à região na 6ª feira (27/3), incluindo aproximadamente 2.200 fuzileiros navais. Outros 2.200 fuzileiros navais estão a caminho, enquanto milhares de soldados da 82ª Divisão Aerotransportada também foram enviados para a região.
Mantendo seu estilo irresponsável, do tipo bate-e-assopra, ontem o “agente laranja” disse que os EUA estavam em negociações “sérias” com o Irã para encerrar o conflito, informa o UOL. No entanto, em sua rede social, Trump afirmou que caso o Irã não concorde com sua proposta para encerrar a guerra e se o Estreito de Ormuz não for liberado “imediatamente” para negócios, ele irá autorizar a explosão de todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo, da Ilha de Kharg e “possivelmente todas as usinas de dessalinização”. Ameaça que ele fez há mais de uma semana – e não cumpriu.
As idas e vindas de Trump e a continuidade da guerra contra o Irã continuam afetando profundamente os preços do petróleo e do gás, com impactos econômicos crescentes em todo o mundo. Ontem, o mercado de petróleo abriu em polvorosa, e a cotação do petróleo tipo Brent, referência mundial, chegou a superar US$ 115 o barril. No fim da sessão, o Brent com vencimento em maio fechou em alta de 0,18%, cotado a US$ 112,78 por barril, na International Exchange (ICE).
Já o barril do WTI, petróleo de referência nos EUA, fechou pela primeira vez acima de US$ 100 desde 2022, segundo o Valor. O WTI com entrega prevista para maio subiu 3,25% ontem, a US$ 102,88 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Em tempo
O governo Trump continua sua empreitada de interromper os projetos de energia eólica offshore restantes nos Estados Unidos, oferecendo indenizações às empresas que os estão desenvolvendo em troca de investimentos em combustíveis fósseis, informam Financial Times e Folha. O Departamento do Interior dos EUA (DOI) manteve conversas com várias empresas detentoras de concessões para parques eólicos offshore, a fim de convencê-las a firmar acordos como o fechado com a petrolífera TotalEnergies na semana passada. A Total será reembolsada pelos quase US$ 1 bilhão que investiu no seu contrato de arrendamento de energia eólica offshore e poderá investir os recursos em projetos de óleo e gás.
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