28 Março 2026
Edegar Pretto deixa presidência da estatal e celebra resultados da gestão; para cada R$ 1 investido, houve retorno direto de R$ 8,78 para a sociedade brasileira em três anos.
A informação é publicada por Extra Classe, 26-03-2026.
As ações de apoio à agricultura executadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nos últimos três anos geraram retorno de R$ 18,4 bilhões para a sociedade. O anúncio foi feito durante o Balanço de Gestão 2023-2025, nesta quarta, 25 de março, em Brasília. No evento, o presidente Edegar Pretto também comunicou sua saída da presidência da Conab.
O retorno foi de R$ 8,78 a cada R$ 1 investido nas iniciativas realizadas pela Companhia, de acordo com o anúncio do lucro social consolidado da estatal entre 2023 e 2025.
A Conab passará ao comando de Silvio Porto, então diretor de Política Agrícola e Informações.
Mapa da Fome
Cerca de R$ 1,8 bilhão foram investidos no apoio à comercialização de produtos da agricultura familiar. Por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a Conab compra alimentos e os destina a pessoas em situação de vulnerabilidade social, para o combate da insegurança alimentar e nutricional. O governo considera a iniciativa fundamental para que o país tenha saído, mais uma vez, do Mapa da Fome.
“Fizemos uma gestão muito positiva, em que conseguimos alcançar mão aos homens e às mulheres, trabalhadores rurais, chegando com políticas públicas federais para a agricultura familiar brasileira. Esse conjunto de medidas fez com que os produtores seguissem cultivando e batendo recordes, e também com que o povo brasileiro tivesse acesso a alimentos de qualidade, com preço mais justo aos consumidores. Essa grande sinergia da nossa diretoria e o quadro qualificado da Companhia fizeram toda a diferença”, salientou Pretto.
Para o novo presidente, Silvio Porto, os dados do balanço reforçam a importância da estatal. “A relevância da Companhia para o abastecimento e a segurança alimentar e nutricional sempre existiu, mas mostrar essa publicação, com números e metodologia que apuram esses resultados, é de extrema relevância, pois possibilita demonstrar o real significado da Conab para a nossa nação”.
Do sucateamento à recuperação da empresa
Outra política retomada pela gestão de Pretto foi a formação de estoques públicos, assegurando renda mínima ao produtor quando os preços de mercado se encontraram abaixo do preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal.
A Companhia investiu cerca de R$ 225 milhões, visando fortalecer e ampliar a eficiência operacional das unidades armazenadoras da estatal.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante sua gestão, chegou a fechar 27 armazéns da Conab, em 2019. Os 64 que restaram não receberam a devida manutenção, dada a intenção de privatizar a empresa. Os armazéns estocavam alimentos produzidos pela agricultura familiar, comprados pelo governo para serem destinados às políticas de combate à fome, proteção a pequenos agricultores, às vítimas de desastres ambientais, dentre outras.
De 1 milhão de toneladas de arroz estocadas em 2015, só 22 toneladas constavam em estoque em 2020, segundo ano do governo Bolsonaro, de acordo com informações do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do estado de Pernambuco (Sindsep-PE).
Ao fim do governo anterior, não existiam estoques governamentais de alimentos para contingência, intervenção no mercado ou apoio aos programas sociais, tendo ficado a cargo do agronegócio o controle de preços — gerando maiores lucros para empresários e desabastecimento do mercado nacional.
Sob gestão de Pretto, os trabalhos focaram na recuperação e retomada da capacidade da rede de armazéns públicos, destacando-se a compra de produtos produzidos no Rio Grande do Sul.
A empresa também teve atuação estratégica durante o tarifaço praticado pelo presidente Donald Trump, dos EUA, já nos primeiros meses de sua gestão.
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