Pentágono envia 3 mil paraquedistas para o Golfo

Foto: Unsplash

Mais Lidos

  • A Itália rejeita a reforma judicial de Meloni em referendo, um golpe político para seu governo

    LER MAIS
  • Aluguel e plataformização da moradia são as novas fronteiras da financeirização, destaca a arquiteta e urbanista

    “A moradia ficou cara porque foi monopolizada por grandes agentes financeiros”. Entrevista especial com Isadora de Andrade Guerreiro

    LER MAIS
  • "O fascismo voltou". Entrevista com Vladimir Safatle

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

25 Março 2026

Segundo informações, toda a força de resposta rápida, com quase 10.000 agentes, já começou a instalar postos de comando na região.

A reportagem é de Gianluca Di Feo, publicada por La Repubblica, 25-03-2026.

Não apenas fuzileiros navais. Três mil paraquedistas americanos também estão prestes a ser enviados para o Golfo. E dezenas de aviões de carga que têm feito o transporte entre os Estados Unidos e bases no Oriente Médio há dias sugerem a transferência de um contingente de tropas muito maior. Toda a força de resposta rápida do Pentágono, com quase 10.000 membros das forças de assalto, paraquedistas e rangers, já teria começado a instalar seus quartéis-generais operacionais em diversos aeroportos em Israel, Jordânia e Arábia Saudita.

A ação parece indicar que Donald Trump não desistiu de uma intervenção terrestre, enviando forças suficientes para a zona de conflito para uma intervenção direta. Essa medida admite duas interpretações. Pode ser uma forma de pressionar as negociações indiretas iniciadas com a mediação do Paquistão, Turquia e Egito, tentando convencer os aiatolás a suavizar sua posição e iniciar as conversas imediatamente. Mas também pode ser a preparação concreta de um Plano B, com a abertura de outra frente caso a abordagem diplomática não produza resultados. A Casa Branca suspendeu por cinco dias a ameaça de destruir usinas nucleares iranianas: o ultimato expira na noite de sexta-feira.

Os 2.200 fuzileiros navais da Força-Tarefa Trípoli estão chegando ao Golfo: ontem, eles entraram na área do Centcom, o quartel-general em Tampa responsável pela ofensiva. Eles contam com três grandes navios para conduzir operações anfíbias de forma independente, equipados com caças de decolagem vertical F-35B, aeronaves de rotor basculante Osprey e helicópteros de ataque Cobra. Outra força de ataque irmã — o porta-aviões Boxer, que partiu de San Diego — só chegará à região em 10 de abril.

Agora, porém, haverá um aumento. Segundo o Wall Street Journal, a ordem de partida para três mil paraquedistas da 82ª Divisão já foi emitida. Essa decisão foi antecipada pela chegada de jatos C-17 Globemaster, cada um capaz de transportar mais de cem soldados e seus equipamentos. Seis partiram de Fort Bragg, onde a unidade mobilizada está baseada. Desde 12 de março, no entanto, houve mais quarenta voos. Doze vieram de Fort Stewart, sede do esquadrão de helicópteros dedicado a incursões das Forças Especiais: o 160º Regimento, protagonista da operação em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Maduro. Outros sete decolaram da base do Primeiro Grupo de Forças Especiais e do 75º Regimento de Rangers. Quatro partiram de Fort Campbell, ninho das "Águias Gritantes" da 101ª Divisão, bem como de vários outros grupos de paraquedistas.

Se todas essas unidades fossem totalmente mobilizadas para o Oriente Médio, em quatro semanas o quartel-general dos EUA teria à sua disposição aproximadamente 15.000 paraquedistas e fuzileiros navais, além de um núcleo robusto de comandos. Esses são os batalhões que moldaram a história militar americana, participando das missões mais famosas, desde os desembarques na Sicília e na Normandia até o Vietnã e a "guerra global" contra o terrorismo.

Quais poderiam ser seus alvos? Há rumores de um ataque à Ilha de Kharg, o terminal responsável por 90% das exportações de petróleo de Teerã. Mas o General Joseph Votel, ex-chefe do Centcom, alerta: "Fica a apenas 32 quilômetros da costa iraniana, estaríamos sob fogo inimigo: uma posição extremamente vulnerável. E não sei se isso nos daria uma vantagem tática significativa."

A alternativa é ainda mais ousada: invadir o bunker montanhoso de Isfahan para extrair os 430 quilos de urânio enriquecido, o coração do programa nuclear. "Seria uma operação muito complexa", explica o general Votel, "que não pode ser realizada da noite para o dia. Seriam necessárias equipes especializadas para extrair as substâncias radioativas e controlar uma vasta área."

Nenhum dos planos resolve o fechamento do Estreito de Ormuz. Nesse ponto, há uma iniciativa britânica: Londres estaria disposta a enviar navios para escoltar petroleiros e remover minas. Há relatos de um acordo com Paris, cujo objetivo é envolver as trinta nações — incluindo a Itália — que assinaram uma declaração para trabalhar em "esforços apropriados" para garantir a rota do petróleo bruto. A ideia é abrir rotas no Golfo sob a proteção de uma frota internacional. Mas parece improvável que isso se concretize antes de um cessar-fogo. E o Pentágono parece estar se preparando para uma escalada: ontem, mais uma dúzia de caças F-16 pousou no Oriente Médio como reforço.

Confirmando que uma trégua ainda está longe de ser alcançada e que o risco de uma prorrogação permanece real, a Organização de Energia Atômica do Irã denunciou ontem à noite um ataque conjunto dos EUA e de Israel à usina nuclear de Bushehr, que abriga engenheiros e técnicos russos da empresa Rosatom.

Leia mais