16 Março 2026
Leão reabre o apartamento papal, que Francisco havia desprezado, optando por Santa Marta. As reformas levaram meses: agora há até uma academia.
A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 14-03-2026.
Dez meses após o Conclave, o novo Papa instalou-se em sua nova residência. Leão XIV "tomou posse do apartamento no Palácio Apostólico", informou a Sala de Imprensa da Santa Sé, "mudando-se, com seus colaboradores mais próximos, para os espaços anteriormente ocupados por seus antecessores". Uma declaração concisa, quase como se tratasse o assunto como um mero passo técnico, dissipando assim os rumores que cercavam a mudança papal há meses. O que, no entanto, não deve ser encarado como algo trivial. Por que Leão XIV retorna ao Palácio Apostólico, abandonado por doze anos por Francisco, que preferia viver na Casa Santa Marta, residência de hóspedes do Vaticano? Uma ruptura, isso, e uma normalização, aquilo? O retorno, na realidade, não é uma repetição do passado.
Dia e noite
Robert Francis Prevost ocupará — aliás, já começou a ocupar — o apartamento papal na terceira galeria durante o dia, utilizando os mesmos espaços usados por seus antecessores, desde Pio X no início do século XX até a traumática despedida de Bento XVI: a biblioteca, a capela e o escritório particular de onde contempla a colunata de Bernini todos os domingos para o Angelus. Mas ele também decidiu viver no andar de cima à noite, nos chamados "soffittoni", onde outrora viviam os secretários papais e as freiras que cuidavam da casa do Papa. Este é um espaço localizado entre a terceira galeria e o telhado, e que, apesar do nome, ainda conserva o decoro, bem como o espaço e a luminosidade, próprios de um Pontífice. Ali — longe dos olhares dos fiéis — em estilo minimalista e predominantemente branco, teriam sido dispostos os quartos com banheiros, uma segunda capela, uma cozinha e uma pequena academia para permitir que o Papa continuasse seu hábito de se manter em forma.
As freiras peruanas
Leão mudou-se para o novo apartamento com seus dois secretários, o padre Edgar Rimaycuna, um peruano, e o padre Marco Billeri, um toscano. Espera-se que em breve se junte a eles um grupo de freiras peruanas, que Prevost conhece desde sua época como bispo do país andino, e que ficarão responsáveis pelas tarefas domésticas e pela cozinha.
Segundo movimento
O Papa teve que esperar dez meses porque a reforma demorou muito: além das melhorias estruturais, um número relativamente pequeno de trabalhadores teve que refazer completamente os sistemas elétrico e hidráulico, bem como estabilizar as cornijas externas, pois, após doze anos de abandono, o apartamento, que já começara a se deteriorar nos últimos anos do Papa Ratzinger, havia caído em ruínas. Até hoje, Leão XIV continua morando no prédio do Santo Ofício: quando chegou ao Vaticano em 2023, foi-lhe atribuído um apartamento do outro lado da praça, mas ele queria ficar mais perto da Igreja de Santa Mônica, onde fora ordenado padre, e da comunidade agostiniana que liderara como prior da ordem e à qual continuava a frequentar diariamente como cardeal, para as orações da manhã e o almoço. Mudou-se para lá algumas semanas antes do Conclave, sem saber que em breve seria eleito Papa.
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