“Sim, jejuarão”. As palavras de Jesus sobre o modo de agir dos discípulos

Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil

26 Fevereiro 2026

“O jejum, como podemos observar nos evangelhos sinóticos, não é somente uma prática milenar, mas uma afirmação categórica de Jesus sobre a futura conduta dos seus discípulos”. 

O comentário é de Patricia Fachin, jornalista, graduada e mestra em Filosofia pela Unisinos e mestra em Teologia pela PUCRS.

O jejum é uma das prática ascéticas mais antigas da humanidade. Muitas vezes, contudo, esse exercício espiritual é associado, de modo reducionista, a mortificações corporais que visam o enfraquecimento dos vícios e permitem a prática das virtudes. Mas o jejum visa, acima de tudo, submeter as paixões à razão e a razão ao espírito, sendo, portanto, indissociável da caridade. 

Uma explicação clara do que isso significa na prática foi dada pelo jesuíta Thomas Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, em 2019:

“As regras medievais para o jejum tinham o efeito de forçar as classes altas a comer como pessoas pobres, que, em comparação, estavam sempre em jejum. Então, se você realmente quiser entrar no espírito da Quaresma, tente sobreviver com aquilo que pode ser comprado com os vales-alimentação de um operário em um mês – aqueles que não são válidos para a compra de bebidas alcoólicas ou de pratos feitos. Dê aquilo que você poupar aos pobres".

A orientação do jesuíta lembra uma passagem da experiência mística de Hermas  irmão do Papa Pio, que ocupou a cátedra de Roma entre 142 e 155 , relatada em o Pastor, obra escrita provavelmente em 150 d.C., questionada pelos modernos, mas estimada pelos Padres da Igreja, como Irineu, Clemente de Alexandria, São Jerônimo, e também por Orígenes. O pastor que se manifesta a Hermas na Quinta Parábola o orienta sobre como proceder com o jejum: 

“Eis como observarás o jejum que queres praticar: Antes de tudo, guarda-te de toda palavra má, de todo desejo mau, e purifica teu coração de todas as coisas vãs deste mundo. Se observares isso, teu jejum será perfeito. E jejuarás do seguinte modo: depois de cumprir o que foi escrito, no dia em que jejuares, não tomarás nada, a não ser pão e água. Calcularás o preço dos alimentos que poderias comer nesse dia e o porás à parte para dar a uma viúva, a um órfão ou necessitado e, desse modo, te tornarás humilde”.

O jejum, como podemos observar nos evangelhos sinóticos, não é somente uma prática milenar, mas uma afirmação categórica de Jesus sobre a futura conduta dos seus discípulos: 

“Jesus respondeu-lhes: ‘Por acaso podem os amigos do noivo estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão, quando o noivo lhes será tirado; então, sim, jejuarão” (Mt 9,15).

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