27 Fevereiro 2026
"A 'maior democracia' do mundo não tem um título de eleitor. O Brasil está alguns passos adiante dos Estados Unidos em matéria de eleições, a começar pelo uso de urnas eletrônicas", escreve Edelberto Behs, jornalista.
Eis o artigo.
A intervenção de Donald Trump na economia mundial, a imposição de sobretaxas e as interferências em outros países, como a Venezuela e a Faixa de Gaza, são fatos expostos, comentados e criticados em todas as regiões do planeta. Muita coisa, surpreendentes, não se tem noção a respeito do funcionamento da dessa “democracia”. Por exemplo, cidadãos não têm título de eleitor. A Câmara dos Estados Unidos aprovou, por 218 a 213, no dia 11 de fevereiro, o “Save America Act, que exige uma identidade do eleitor para que ele tenha o direito de votar. A proposta aguarda a votação pelo Senado.
Por incrível que pareça, qualquer pessoa, dependendo o Estado da Federação, podia votar sem ter um documento identificando-o. O repórter do Christian Post, Ryan Foley, fez um levantamento da situação eleitoral nos Estados, que têm exigências distintas. A nova proposta de lei uniformizará o sistema eleitoral do país, exigindo uma “comprovação documental de cidadania” para votar em eleições federais.
Em levantamento da Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais, de julho de 2025, 14 Estados da Federação não exigem que o eleitor apresente algum documento no ato de votar. Os Estados são: Califórnia, Havaí, Illinois, Maine, Maryland, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon, Pensilvânia e Vermont. Outros dez Estados exigem uma documentação de identificação e 13 Estados permitem que eleitores apresentem algum documento de identificação, como cartão do Seguro Social ou carteira de motorista.
A “maior democracia” do mundo não tem um título de eleitor. O Brasil está alguns passos adiante dos Estados Unidos em matéria de eleições, a começar pelo uso de urnas eletrônicas. Mas não só aí, a prisão dos incentivadores do 8 de janeiro foi um murro na decisão de Trump de anistiar os que invadiram o Capitólio, matando, inclusive, um policial.
Depois, num país democrático não se aceitaria um presidente desrespeitando uma decisão da Suprema Corte a respeito das sobretaxas, tema que o Congresso sequer foi consultado a respeito, sem deixar passar que Trump, mesmo condenado, tomou posse como presidente da República. Ou seja, eles não conhecem o instituto da ficha limpa.
“Save America” altera a Lei Nacional de Registro Eleitoral, de 1993, exigindo que cidadão que deseja votar em eleições federais forneçam a devida comprovação de identidade. Já era hora!
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