Disputas e contradições continuam após a COP30. Artigo de Nico Costamilan e Eloisa Beling Loose

Foto: Aline Massuca/COP30

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24 Fevereiro 2026

Plano Clima indica desafios de implementação; evitar mudanças profundas continua sendo uma linha de ação que envolve greenwashing, lobby e circulação de desinformação.

O artigo é de Nico Costamilan e Eloisa Beling Loose, em colaboração com o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental, publicado por ((o))eco, 20-02-2026.

Nico Costamilan é estudante de Jornalismo da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e bolsista de extensão do Observatório de Jornalismo Ambiental, vinculado ao Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

Eloisa Beling Loose é professora e pesquisadora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS) e coordenadora do Laboratório de Comunicação Climática (CNPq/UFRGS). Doutora em Comunicação pela UFRGS e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Eis o artigo.

Apesar do fim da 30ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima da ONU, a COP30, o debate climático segue sendo disputado. No Brasil, após embates com o setor do agro, o governo federal aprovou em dezembro o Plano Clima, que estabelece metas e diretrizes de curto, médio e longo prazo que visam à adaptação climática e à transição para uma economia com emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050. No início de fevereiro, houve a publicação de seu sumário executivo, considerado o guia do país para uma economia de baixo carbono. Nele, são apresentadas metas climáticas para os próximos dez anos. Contudo, o Plano enfrenta críticas de especialistas e ambientalistas por indefinições de implementação e financiamento das metas.

Antes mesmo da divulgação do Plano, o contraste entre a construção de uma imagem de líder climático internacional e as práticas ligadas às atividades vinculadas à alta emissão de carbono já eram evidentes. No artigo “Quantas Amazônicas cabem na COP-30? Perspectivas acerca do clima em disputa no Brasil”, de pesquisadoras do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS), essas profundas contradições que cercaram a realização da COP30 em Belém são analisadas, contrastando as ambições diplomáticas do Brasil com a realidade ambiental no estado do Pará – que, em alguma medida, se estendem também por outras regiões.

O estudo identifica as principais disputas de sentidos sobre a realização da COP30. Entre elas, a infraestrutura urbana em Belém, com tensões a partir do discurso oficial acerca do “legado turístico” da cidade, versus as necessidades da população local. Também, a insistência da exploração de petróleo em meio à discursos de cuidado ambiental do governo no evento; as apostas tecnofinanceiras do governo paraense, que tem gerado novas camadas de conflito territorial; e qual o lugar dos povos e comunidades tradicionais no evento, que buscam legitimidade, poder e visibilidade para tratar do futuro do planeta.

Diante do Plano Clima – e de outras políticas brasileiras que buscam fortalecer o enfrentamento da mudança do clima –, observam-se os desafios profundos na transição de setores poderosos como energia, agronegócio e infraestrutura urbana. Evitar mudanças profundas continua sendo uma linha de ação que envolve greenwashing, lobby e circulação de desinformação. Ainda assim, é preciso que o governo delimite suas prioridades, considerando a gravidade e urgência da emergência climática.

Como apontado pelo estudo referenciado, uma verdadeira justiça climática exige o fortalecimento da luta pelo meio ambiente, a visibilidade de quem está nesse enfrentamento, e a superação da lógica do lucro em detrimento da preservação da natureza. É preciso que as mudanças climáticas sejam discutidas com seriedade e compromisso real das autoridades políticas brasileiras, para se colocar em prática o discurso da valorização da vida, em todas as suas formas.

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