15 Fevereiro 2026
Donald Trump está decidido a destruir todas as políticas e avanços em matéria climática e ambiental, enquanto estiver no poder. Por meio de uma série de ordens executivas e diretrizes administrativas assinadas no Salão Oval, o presidente dos Estados Unidos colocou fim oficialmente aos limites federais sobre os gases do efeito estufa. Além disso, em uma manobra legal sem precedentes, revogou a própria autoridade do governo estadunidense para combater as mudanças climáticas.
A reportagem é publicada por La Marea-Climática, 13-02-2026. A tradução é do Cepat.
O ponto central dessa ofensiva é a revogação da chamada “constatação de perigo” (endangerment finding), a avaliação técnica aprovada em 2009 pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) que classificava seis gases do efeito estufa como uma ameaça à saúde e ao bem-estar.
Essa decisão representa a eliminação da base legal que permitia ao Governo Federal regular as emissões de dióxido de carbono e metano, entre outros, sob a Lei do Ar Limpo. Sem esse reconhecimento científico, a EPA perde a autoridade legal para impor limites à poluição de veículos, de usinas de energia e da indústria de petróleo e gás.
“O maior ato de desregulamentação da história”
Durante sua permanência na Sala Roosevelt, Trump chamou a regulamentação revogada de uma “política desastrosa da era Obama” que, em suas palavras, “prejudicou gravemente a indústria automobilística estadunidense e aumentou drasticamente os preços para os consumidores”.
O argumento central da Casa Branca é puramente econômico. De acordo com os números apresentados pelo presidente em seu discurso, a eliminação desses padrões permitirá reduzir o custo médio de um veículo novo. “Com o anúncio de hoje, as famílias estadunidenses economizarão mais de 2.400 dólares em um veículo novo”, afirmou Trump, vinculando - sem qualquer evidência - as regulamentações climáticas anteriores à inflação no setor automotivo.
O administrador da EPA, Lee Zeldin, que acompanhou o presidente no anúncio, ratificou a mudança de rumo da agência: “Sob a liderança do presidente Trump, hoje, a EPA acabou com o maior ato de desregulamentação na história dos Estados Unidos da América”.
Fim dos padrões de eficiência e veículos elétricos
A medida tem efeitos imediatos sobre a indústria. Ao anular a premissa de que o CO2 é um poluente regulamentável, caem automaticamente os mandatos federais que estimulavam a fabricação de veículos elétricos e os rigorosos padrões de eficiência de combustível fixados pelo governo anterior. Trump criticou explicitamente o que chamou de “massiva e caríssima ordem dos veículos elétricos”, destacando que essas restrições foram um fator-chave no aumento dos preços.
Essa ação se soma à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e de todos os fóruns globais, incluindo o IPCC e a IPBES, os dois maiores painéis científicos sobre clima e biodiversidade, respectivamente.
Com a assinatura desses novos decretos, os Estados Unidos se tornam a única grande potência ocidental a negar oficialmente a validade dos estudos científicos que relacionam as emissões humanas ao aquecimento global, fechando as portas para qualquer ação climática federal, durante o restante do mandato. Enquanto a União Europeia e a China aceleram seus investimentos em tecnologias verdes, os Estados Unidos optam por um recuo em direção à soberania energética, baseada em combustíveis fósseis.
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