10 Fevereiro 2026
Será que o Evangelho pode falar de uma maneira nova também hoje? Essa é uma das clássicas perguntas de sentido que explicam o estilo de pregação original e não convencional do frade dominicano inglês, nascido em 1945, o cardeal Timothy Radcliffe, natural de Londres. Nomeado cardeal pelo Papa Francisco em seu último consistório em 2024, ele serviu como Mestre da Ordem dos Pregadores de 1992 a 2001. Estudioso bíblico de formação, teve o privilégio de coordenar quatro meditações na última assembleia sinodal em outubro de 2024.
A reportagem é de Filippo Rizzi e publicada por Avvenire, 06-02-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Um livro recém-publicado com o título evocativo "La sorpresa della speranza. Meditazioni su una Chiesa in cammino” (A surpresa da esperança: meditações sobre uma igreja em caminho, Libreria Editrice Vaticana, 160 páginas, €14) apresenta essas intervenções. E não só isso. As páginas também reúnem outras contribuições de Radcliffe para e sobre o Sínodo. E o volume revela o pregador nato com o humor britânico clássico que sempre distinguiu o estilo homilético, muitas vezes informal e não clerical, do autor.
O livro de Radcliffe, ao qual foi confiada a meditação de abertura do primeiro Consistório Extraordinário convocado pelo Papa Leão XIV nos dias 7 e 8 de janeiro, oferece uma ampla reflexão sobre a missão da Igreja nas sociedades contemporâneas e seu modo de dialogar. Não é por acaso que as primeiras linhas do livro estejam ligadas a uma pergunta: "O Sínodo alcançou algo?". A resposta do autor é firme e inequívoca: "Nós também nos reunimos em Sínodo para encontrar novas maneiras de dizer 'sim' ao Senhor que nos envia para proclamar aos nossos contemporâneos: 'Quem tiver sede, venha'. Pedimos novas palavras para alcançar, especialmente os milhões de jovens que buscam o sentido da vida: 'Venham e bebam da água da vida. Há lugar para vocês à mesa'."
Como o Papa Francisco gostava de dizer: "Todos, todos, todos são bem-vindos". Nas entrelinhas do ensaio desponta a própria visão sobre o futuro da Igreja defendida pelo jesuíta estadunidense e seu grande amigo, James Martin. Não é surpresa que Radcliffe retorne aqui aos seus anos como geral dos Dominicanos e às suas viagens às periferias do planeta. E aos encontros que marcaram sua existência de frade dominicano "irregular" e extremamente original. Suas memórias estão repletas de anedotas divertidas, por exemplo, sobre as visitas e as conversas que teve como superior dos Dominicanos, por exemplo, com o superior geral da Companhia de Jesus, o holandês Peter Hans Kolvenbach: "Quando cheguei a Roma, não sabia como me relacionar com o Vaticano e fui pedir conselhos ao então superior dos Jesuítas. Ele respondeu que era como jogar tênis: você tem que manter a bola no ar!"
Como em todos os livros do cardeal britânico, traduzidos para o mundo todo, aparecem os pensadores por ele mais estudados, como os venerados Dominicanos, de formação tomista, Herbert McCabe, Simon Tugwell e, claro, Tomás de Aquino. Essas páginas também revelam a estima de Radcliffe por dois gigantes da teologia do Vaticano II, seu coirmão Yves Congar e o jesuíta Henri de Lubac, sobre quem ele confidencia, sempre nessa publicação, que nutre um sonho: que seja logo proclamado santo.
Mas o livro pretende, acima de tudo, ser um sinal de esperança de um crente muito original como Radcliffe, um cardeal idoso que sonha com uma Igreja livre dos adornos barrocos do passado, sempre em caminho e capaz de se reformar internamente.
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