Esperar pelo inesperado: salvar a vida na Terra. Artigo de Leonardo Boff

Foto: Tomas Hudolin/Unsplash

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24 Janeiro 2026

"Eu fico do lado da esperança de que ainda é possível a invenção de um paradigma mais benigno, capaz de salvar a nós e a diversidade da vida. Mas é apenas uma fé e uma esperança, que segundo as Escrituras cristãs, nunca nos defraudarão. Espero e creio, creio e espero", escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor. Escreveu A busca da justa medida (Vozes, 2023), Paixão de Cristo-paixão do mundo (Vozes, 1977), premiado como o livro religioso do ano nos EUA.

Eis o artigo.

São muitos os cientistas e os analistas da geopolítica que afirmam a possibilidade do fim da espécie humana. Não por uma visão meramente apocalíptica, mas devido a fatos reais: as altas tensões entre os estados militaristas e a construção de várias formas de pôr fim ao nosso processo humano sobre o planeta Terra. Esse é um dado inegável.

Há demasiada ignorância dos riscos que pesam sobre o nosso futuro. E existem suficientes chefes de estado que, em função do poder hegemônico sobre todos os povos, afoitamente, assumem este risco. Quem está roendo seu osso, prefere morrer do que largá-lo, coisa que já Hobbes previa no seu Leviatã de 1561.

Mas a história não é linear, dá saltos e os seres humanos são portadores de inteligência e de instinto de vida que não tornam fatal este destino trágico. Mas ele não é impossível dada também a demência humana. Nós, no entanto, esperamos o inesperado e a realização do improvável. Nisso pomos nossa esperança de que ainda teremos futuro.

Escreveu Brian Swimme, um dos maiores cosmólogos do mundo que coordena na Califórnia cerca de 100 cientistas para estudar a história do universo, esta curiosidade ilustrativa (Cf. The Universe Story:From the Promordial Floring Forth to the Ecological Era,1992,273).

Se reduzirmos a idade do universo de 13,7 bilhões de anos ao calendário de um ano, então o Big Bang (o começo de tudo) teria ocorrido no dia 1º de janeiro.

Entretanto, para que surgisse a vida, a evolução esperou até o dia 2 de outubro.

O homo sapiens sapiens (também demens demens) que somos nós, só surgiu no dia 31 de dezembro às 11 horas e 53 segundos. Portanto 7 segundos antes da meia-noite.

A história humana conhecida e datada aconteceu apenas 10 segundos antes da meia-noite. Swimme comenta: nós somos os nouveaux riche da vida. Oh glória!

Apesar disso tudo, lamentavelmente, não despertamos para o nosso lugar e a nossa responsabilidade no conjunto dos seres e da Terra. Estamos, nesse curto lapso de tempo, destruindo as condições que garantem a continuidade de nossa vida. Os negacionista do aquecimento global, o mais proemintente, o Presidente Donald Trump, aceleram esse processo aumentando a produção de petróleo e gás que reforçam esse aquecimento, provavelmente, já irreversível.

Se não cuidarmos, Terra vai virar um forno de calor, letal para crianças e idosos e, em geral, deletério para a vida no planeta.

Temos que acolher o mandato divino que está no livro do Gênesis (2,15) de sermos os “guardadores e cuidadores” do Jardim do Éden, vale dizer, da Terra viva e cheia de bondades. Temos tempo e sabedoria para assumimos essa responsabilidade e garantir um futuro para nós e para o Jardin do Éden, a Casa Comum?

Esse é o nosso grande desafio. Temos que despertar para essa missão e creio que, no auge das ameaças, vamos acordar de nosso sono e mudar de rumo, esse sim salvador. Precisamos ter esperança e crer que o inesperado e o improvável se façam plausíveis e aconteçam de fato.

Eu fico do lado da esperança de que ainda é possível a invenção de um paradigma mais benigno, capaz de salvar a nós e a diversidade da vida. Mas é apenas uma fé e uma esperança, que segundo as Escrituras cristãs, nunca nos defraudarão. Espero e creio, creio e espero.

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