21 Janeiro 2026
O bispo Franz-Josef Overbeck, de Essen, apela a uma visão realista do futuro da Igreja. Em sua mensagem de Ano Novo, ele preparou os fiéis da diocese do Ruhr para novas convulsões e mudanças estruturais. "Muito em breve teremos que encarar uma realidade que talvez suspeitássemos que estava por vir, mas que, no entanto, ignoramos por tempo demais", escreve o bispo, referindo-se ao número decrescente de membros da Igreja e à diminuição dos recursos financeiros.
A informação é publicada por Katholisch, 19-01-2026.
Trata-se de lidar de forma responsável com a realidade dada e aceitar o que não pode ser impedido. "Porque somente se formos honestos conosco mesmos e aceitarmos que estamos no caminho para nos tornarmos uma igreja minoritária em uma sociedade pluralista, poderemos permanecer unidos com coragem e refletir sobre o que nos motiva como cristãos – e o que podemos viver e transmitir mesmo como uma comunidade menor, enfatizou Overbeck.
Boa posição inicial, mas também cansaço devido aos processos anteriores
Novas medidas de redução de custos serão previsivelmente necessárias. O bispo, no entanto, considera que sua diocese está em uma boa posição inicial. Os inúmeros processos dos últimos anos serviram como um exercício "para encarar a realidade e tomar e suportar decisões difíceis juntos dentro de nossa diocese". Ele também está ciente, porém, de que muitos estão cansados. As medidas de redução de custos e as mudanças estruturais são necessárias. "Mas também estamos fazendo isso porque queremos garantir que a vida cristã possa continuar a prosperar em nossa região nas próximas décadas – bem no seu coração."
Embora não se possa garantir que todas as organizações, instituições e edifícios religiosos continuem a existir, "podemos lançar as bases para que, no futuro, haja pessoas que vivam de acordo com a sua fé cristã e criem espaços cristãos diversos – diferentes dos de hoje, mas muito vibrantes e atraentes", continuou o bispo.
A Diocese de Essen é a menor diocese da Alemanha em termos de área. Foi formada em 1958 a partir de territórios das dioceses de Colônia, Münster e Paderborn. Desde 2005, a organização da diocese passou por diversas reestruturações para se adequar às mudanças no número de católicos e na arrecadação de impostos da igreja. Entre outras medidas, grandes paróquias foram criadas e igrejas foram fechadas. As projeções indicam que, em 2040, apenas 40 padres estarão em atividade.
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