Na Venezuela, Delcy Rodríguez é ambígua: chavista em casa, aberta ao diálogo no exterior

Foto: @Miraflores/Fotos Públicas

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14 Janeiro 2026

Do petróleo à libertação de prisioneiros, passando pelas proclamações de continuidade com Maduro, as aberturas se contrapõem. E o país respira.

A informação é de Laura Lucchini, publicada por La Repubblica, 13-01-2026.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, está trilhando um delicado caminho entre duas frentes opostas. Fiel à postura de Nicolás Maduro, à qual demonstra respeito em cada ato público, ela busca uma política interna de continuidade. A diplomacia, no entanto, parece estar ansiosa para enviar sinais de abertura, que atingiram um momento crucial ontem com a Itália, com a libertação de Trentini e a elevação das relações diplomáticas.

Petróleo e prisioneiros

Em 6 de janeiro, a presidente interina anunciou uma "agenda de cooperação" com os EUA, marcada por relações "equilibradas e respeitosas": como a entrega de 30 a 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos em troca do alívio das sanções para impulsionar a economia. A PDVSA, petrolífera estatal, retomou o contato com empresas ocidentais, enquanto os serviços de inteligência retornaram à embaixada americana.

Ao mesmo tempo, Rodríguez anunciou a libertação de presos políticos detidos nas prisões de Rodeo e Helicode. Após um início lento, que alarmou ONGs de direitos humanos, ontem marcou uma virada: 116 presos foram libertados, metade dos quais considerados "políticos". O reconhecimento de Rodríguez foi imediato, com apoio bipartidário de ambos os lados do Atlântico: "Estou pronto para me encontrar com ela", assegurou Trump. "Eu disse a Rodríguez para continuar assim", disse Pedro Sánchez de Madri, interrompendo a coletiva de imprensa com o presidente grego Mitsotakis.

No entanto, em Caracas, os dias de Rodríguez são marcados pelo paradigma chavista: uma foto diária nas redes sociais homenageia Nicolás Maduro e Cilia Flores. Visitas presidenciais às áreas bombardeadas e aos feridos hospitalizados. Viagens a bairros operários e apertos de mão. A ratificação das cestas básicas "Clap" para os pobres. Tudo isso em um país onde uma aparente calma retornou: as filas nos postos de gasolina desapareceram, o dólar caiu e não houve mais apagões.

"Na política, existem fatos e existem imagens", explica o professor Carlos Romero, cientista político da Universidade Central de Caracas. "Suas ações estão transmitindo com sucesso uma imagem positiva, capaz, pela primeira vez, de contrapor a de Machado na mídia." "No entanto, quando se trata de fatos, vivenciamos uma dialética constante entre a abertura ao mundo exterior e a perpetuação inexorável do chavismo."

Rodríguez não mexeu no aparato. Além da chefia da contraespionagem e de alguns cargos menores, ele ainda não alterou a estrutura que garantiu a continuidade de Maduro. Em vez disso, ele age sob a mira do Ministro do Interior, Diosdado Cabello, e do Ministro da Defesa, Vladimiro López Padrino. E é aí que o jogo mais delicado está sendo jogado, porque todos sabem que, para se manter no poder, ele precisa garantir o apoio dos falcões. Mas um passo em falso destes últimos poderia desencadear outra intervenção dos EUA.

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