Escalada da violência ameaça acesso à saúde em Porto Príncipe, Haiti, alerta Médicos Sem Fronteiras

Foto: Alexandre Marcou/MSF

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12 Janeiro 2026

Organização humanitária é obrigada a suspender atividades médicas no bairro de Bel Air por tempo indeterminado devido aos confrontos armados.

A informação é da assessoria de imprensa do Médico Sem Fronteiras, 08-01-2026.

A organização internacional humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) está profundamente preocupada com a escalada dos confrontos entre a Polícia Nacional Haitiana e grupos armados no bairro de Bel Air, em Porto Príncipe, no Haiti. Nessa área da capital do país, onde não há outros serviços médicos disponíveis, as equipes de MSF mantinham um posto de saúde em funcionamento um dia por semana, enquanto agentes comunitários de saúde voluntários trabalhavam diariamente para prestar cuidados básicos e encaminhar pacientes.

Na última terça-feira, 6 de janeiro, o antigo prédio escolar utilizado para as atividades médicas de MSF foi transformado em um campo de batalha em meio a intensos combates entre um grupo armado e a Polícia Nacional Haitiana. Sete voluntários da comunidade ficaram presos no local por várias horas antes de conseguirem escapar.

Um ex-voluntário da comunidade, que havia colaborado com nossa organização em 2025, foi gravemente ferido durante o ataque e perdeu a vida. Ele chegou à clínica poucos minutos após a evacuação da equipe de voluntários. Sem poder receber os primeiros socorros, infelizmente, faleceu em decorrência dos ferimentos em frente ao portão do prédio. Essa situação não é um caso isolado.

“As intervenções médicas que realizamos em Bel Air e Bas Delmas oferecem atendimento essencial a milhares de pacientes todos os meses. Sem essas clínicas, essas pessoas estão completamente sem acesso à saúde”, afirma Nicholas Tessier, coordenador do projeto de MSF no Haiti. “Hoje, diante desse novo episódio de violência, somos obrigados a suspender todas as nossas atividades em Bel Air por tempo indeterminado.”

MSF apela a todas as partes envolvidas no conflito para que respeitem as instalações médicas, os profissionais de saúde, os pacientes e a população. O aumento da violência não pode colocar a vida de milhares de civis em risco e comprometer, de forma alarmante, seu acesso à saúde.

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