Petro: “Trump me disse que estava pensando em fazer coisas ruins na Colômbia, uma operação militar”

Foto: Wikimedia Commons

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09 Janeiro 2026

Em entrevista exclusiva ao EL PAÍS, o presidente colombiano reconhece que temia ser capturado como Maduro, mas acredita que a ligação com o magnata “congelou” a ameaça.

A reportagem é de Juan Diego e Quesada María Martín, publicada por El País, 09-01-2026.

Gustavo Petro pensou esta semana que, a qualquer momento, uma força de assalto poderia desembarcar no telhado da Casa de Nariño, a residência presidencial colombiana, e chegar ao seu gabinete. No Palácio, ele não tem um bunker para onde correr e se esconder, como Nicolás Maduro tentou fazer uma semana antes de ser capturado e colocado em um helicóptero que sobrevoou Caracas durante a noite, rumo aos Estados Unidos. O presidente colombiano, de 65 anos, sentiu-se ameaçado pelas insinuações de Donald Trump de que algo semelhante poderia acontecer com ele. O republicano o chamou de viciado em drogas, bandido, narcotraficante e testa de ferro de Maduro. Ele o incluiu na Lista Clinton e revogou seu visto. Petro, por sua vez, diz que se agarrou ao "povo" como um escudo contra o exército com o maior poder de fogo da história e à espada de Simón Bolívar, guardada como uma relíquia perto de si.

Um telefonema mudou tudo. Petro e Trump conversaram por uma hora na quarta-feira e, ao final, expressaram satisfação com a conversa e se despediram amigavelmente. Foi nesse mesmo espírito que Gustavo Petro chegou para a entrevista, no final da tarde de quinta-feira, em uma das salas do Palácio Nariño. Um assistente ajeitou seu cabelo antes que ele se sentasse, e outro lhe trouxe colírio.

Hoje, sua retórica anti-imperialista se amenizou. Ele chega a dizer que suas posições sobre o combate ao narcotráfico ou a necessidade de uma transição na Venezuela, culminando em eleições, não são tão diferentes das de Trump. Petro até encontra algumas semelhanças entre eles. “Ele faz o que pensa, como eu. Ele também é pragmático, embora mais do que eu. Eu gosto de conversar”, brinca. Petro não quer mais conflitos com ele, por enquanto.

Ele não tem muito tempo como presidente, apenas oito meses. A situação internacional, na qual se sente mais confortável, o distrai dos problemas internos. Sua presidência também foi marcada por diversos casos de corrupção envolvendo dois de seus ex-ministros, que estão atualmente presos, e a violência continua apesar de suas tentativas de pacificar o país. No Natal, ele declarou estado de emergência econômica para cobrir um déficit de 16,3 trilhões de pesos (aproximadamente US$ 4,35 bilhões) no orçamento de 2026, uma decisão excepcional que reflete a fragilidade do clima político e econômico a cinco meses das eleições.

Eis um trecho da entrevista.

Você realmente tinha medo de sofrer o mesmo destino que Maduro?

Sem dúvida. Nicolás Maduro, ou qualquer presidente no mundo, pode ser destituído se não se alinhar a certos interesses.

Você reforçou sua segurança de alguma forma?

 Aqui nem sequer existe defesa aérea. Nunca foi adquirida porque os combates são internos. Os guerrilheiros não têm caças F-16 e o exército não possui esse tipo de defesa.

Os seus serviços de inteligência alertaram-no para algum perigo real?

Não foi necessário. Trump vem dizendo isso há meses. Mas o que usamos aqui é a defesa popular, e é por isso que convoquei a resistência popular na quarta-feira [em manifestações que lotaram praças por toda a Colômbia].

A ameaça diminuiu?

Acho que estava congelado, mas posso estar enganado. Não sabíamos que ação militar estava sendo planejada, apenas que uma estava em andamento.

Como você sabe?

Trump me disse na ligação que estava pensando em fazer coisas ruins na Colômbia. A mensagem era que eles já estavam preparando algo, planejando, uma operação militar.

A íntegra da entrevista pode ser lida aqui.