Quem é Vladimir Padrino, protagonista nas sombras de uma Venezuela sem Maduro

Foto: Ricardo Patiño/Flickr

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07 Janeiro 2026

A figura do Ministro da Defesa mantém-se como o eixo militar sobre o qual repousa a continuidade do chavismo no Governo de Delcy Rodríguez, apoiado pelos Estados Unidos.

A informação é de Eduardo García, publicada por El Salto, 06-01-2025. 

O dia 3 de janeiro de 2026 marca um antes e um depois na Venezuela. A intervenção militar dos Estados Unidos, a captura do presidente Nicolás Maduro e as ameaças lançadas por Donald Trump contra Caracas marcarão as dinâmicas internas venezuelanas nos próximos meses e anos.

Embora o país esteja diante de um novo paradigma, não houve uma mudança de regime. Maduro não está mais lá, mas o chavismo continua no poder e mantém, pelo menos por enquanto, o controle das principais engrenagens do Estado e das Forças Armadas. Neste contexto, além da figura de Delcy Rodríguez – que agora ocupa o cargo de presidente encarregada – destaca-se a de Vladimir Padrino López.

Ministro da Defesa, chefe da cúpula militar e detentor de uma confiança por parte da elite venezuelana que remonta ao início do primeiro governo de Hugo Chávez, Padrino desempenha um papel central como ponte entre os "anos dourados" do chavismo e a incerteza da atual administração.

A relação com Hugo Chávez

Sua relação com o líder vem de muito antes do primeiro governo chavista. Ambos se conheceram nos quartéis e compartilharam tendências bolivarianistas. Sua proximidade política e ideológica traduziu-se em confiança operacional desde o levante de 4 de fevereiro de 1992.

Padrino, então comandante do Batalhão Bolívar de Caracas, deveria esperar na retaguarda a ordem para finalizar o assalto contra Miraflores com tanques, mas o fracasso da tentativa levou Chávez à prisão; ele, porém, conseguiu sobreviver às represálias por aquele levante.

O momento decisivo de sua trajetória chegou no golpe de 2002. Enquanto o presidente era derrubado por 48 horas e detido em La Orchila, o militar liderou o Batalhão Bolívar a partir do Forte Tiuna e rejeitou a intentona. Sua recusa em sublevar-se foi fundamental para o retorno do mandatário venezuelano a Miraflores. Duas semanas depois, o governo reconheceu essa fidelidade com uma condecoração e uma promoção que o consolidou como um dos homens de confiança do projeto chavista.

Em julho de 2012, poucos meses antes da morte do líder, foi nomeado segundo comandante do Exército e chefe do Estado-Maior. Dali, assumiu uma função simbólica e política: garantir a continuidade de um chavismo sem seu fundador.

O ascensão de Padrino com Maduro

Com Nicolás Maduro no poder, o papel de Padrino não apenas se manteve, mas expandiu-se. Em outubro de 2014, foi nomeado Ministro da Defesa e, posteriormente, assumiu responsabilidades que excediam o âmbito castrense.

O governo colocou-o à frente da Misión Abastecimiento Soberano y Seguro, bem como de áreas estratégicas vinculadas a alimentos, medicamentos, indústria e produção, subordinando boa parte do gabinete ao próprio ministro. Deste modo, obteve uma voz privilegiada na "mesa chica" (círculo íntimo) do presidente agora detido nos Estados Unidos.

Este papel ampliado tornou-o a principal barreira contra as tentativas de fratura militar impulsionadas pela oposição. Diante da autoproclamação de Juan Guaidó e da oferta de uma lei de anistia, ele compareceu junto à cúpula militar para rejeitar qualquer quebra institucional.

Vladimir Padrino López ocupou durante anos um lugar singular na arquitetura do poder: acima de Nicolás Maduro, ele reconhecia Hugo Chávez como comandante supremo, reservando-se a um terceiro plano que contrasta com sua influência real. Homem de baixo perfil, mas protagonista nas sombras, ele permanece como o eixo militar da continuidade.

O cenário atual

Sua relevância atual após o ataque norte-americano concentra-se em um objetivo chave: conter possíveis impulsos internos da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) em um contexto de incerteza. Seu papel será preservar a coesão no Exército e evitar fissuras que possam ser percebidas como sinal de fraqueza do regime.

Isso é especialmente relevante porque, muito antes de 3 de janeiro, já se especulava sobre movimentos sísmicos nas FANB. No entanto, tal insurgência pareceu fraca até agora, e boa parte dessa dinâmica é atribuída em Miraflores à atuação do ministro como "cola ideológica" do poder militar.

Apesar de ser Ministro da Defesa, ele também goza de grande influência política e será um ator fundamental para determinar os próximos passos de Caracas, tanto internamente quanto na relação com os Estados Unidos. Embora no início da intervenção tenha denunciado a operação como uma estratégia de "ameaças imperiais", tudo indica que o atual governo de Delcy Rodríguez tentará construir pontes com a potência norte-americana para evitar novos ataques. Nestes cálculos, ele terá voz e voto.

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