Um cardeal que fala claramente, finalmente. Artigo de Rocco Femia

Robert McElroy | Foto: Vatican Media

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01 Outubro 2025

"E em tempos em que muitos prelados preferem o silêncio ou a prudência, a sua homilia tem o sabor da boa notícia. Porque demonstra que ainda existe quem tem a coragem de chamar as coisas pelo seu nome", escreve Rocco Femia, em artigo publicado em seu Facebook, 29-09-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Alguns já o rotularam de "herege". Mas se heresia é dizer a verdade quando todos se calam, então sim: o Arcebispo de Washington Robert McElroy, é um herege. Um daqueles necessários.

Na capital estadunidense, diante de seu povo, McElroy proferiu palavras que nenhum prelado de alto escalão, até hoje, tinha tido a ousadia de dizer tão claramente: as políticas de imigração de Donald Trump são um ataque governamental sem precedentes, um projeto deliberado para despedaçar famílias, humilhar pais e mães e traumatizar crianças inocentes. Não "acidentes colaterais", mas um plano cruel que visa "autoexpulsar" aqueles que não conseguem suportar a pobreza e o medo.

Não houve retórica: houve denúncia. E, ao mesmo tempo, o apelo, cristalino: a Igreja deve estar ao lado dos últimos, não daqueles que os perseguem. E os cidadãos não devem permanecer em silêncio enquanto a injustiça é cometida em seu nome. Numa América católica dividida, com um episcopado muitas vezes mais preocupado em agradar o poder do que em defender o Evangelho, essa voz rompe o muro do silêncio cúmplice. Lembra-nos que ser cristão não é um enfeite identitário, mas uma responsabilidade: aquela de defender os mais vulneráveis, denunciar quem semeia o terror, não aceitar que a lei seja usada como cassetete.

McElroy não fala como vassalo nem político disfarçado de padre: fala como pastor. Certamente, a sua nomeação para Washington foi uma escolha corajosa do Papa Francisco, mas hoje aquelas palavras pesam apenas na sua consciência e na sua liberdade. Já não há mais um papa para o proteger: há um homem de Igreja que expõe sua cara, arrisca o isolamento e diz a verdade.

E em tempos em que muitos prelados preferem o silêncio ou a prudência, a sua homilia tem o sabor da boa notícia. Porque demonstra que ainda existe quem tem a coragem de chamar as coisas pelo seu nome. E que a palavra "herege" pode voltar a significar "livre": livre de cálculos de carreira, livre do receio de incomodar o poder, livre de defender o homem acima de qualquer ideologia.

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