Flotilha Global Sumud: "Barco atingido por drone em águas tunisianas." Greta Thunberg também a bordo

Foto: Anadolu Ajansi

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Setembro 2025

Um zumbido, depois um estrondo. E imediatamente os gritos dos guardas na ponte soam o alarme, acordam a tripulação, ordenam que saiam, rápido: "Fogo, fogo!".

A reportagem é de Alessia Candito, publicada por La Repubblica, 09-09-2025.

Durante a noite, um drone militar atingiu um dos principais barcos da delegação espanhola da Flotilha Global Sumud, o Family Boat, no qual viajavam vários membros do comitê organizador, incluindo Greta Thunberg, Yasemin Acar e Thiago Avila. As imagens divulgadas por ativistas mostram o momento exato em que o dispositivo foi lançado; o estrondo pode ser ouvido claramente, mas, por enquanto, as autoridades tunisinas parecem estar tentando apagar o fogo. "De acordo com as investigações iniciais, houve um incêndio nos coletes salva-vidas", disse Houcem Eddine Jebabli, porta-voz da Guarda Nacional, à AFP, enfatizando que "nenhum drone foi detectado". Os vídeos imediatamente divulgados pela Flotilha Global Sumud, no entanto, contam uma história diferente.

O Family Boat, que chegou a Sidi Bou Said, um pequeno porto turístico perto de Túnis, na noite de domingo, estava ancorado com os outros, aguardando para zarpar para a Faixa de Gaza. "O drone sobrevoou a região e lançou a bomba, e de repente todo o convés pegou fogo", diz Acar, que nos últimos meses esteve a bordo do Madleen com a jovem ecoativista sueca e, como ela, foi interceptado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), transportado para Ashdod, detido e depois expulso. "Todos a bordo estão bem e as chamas foram apagadas", explica Acar em um vídeo. Atualmente, não há provas de que tenha sido um drone israelense, mas ninguém — especialmente após as ameaças explícitas do Ministro Ben Gvir — tem dúvidas sobre isso.

O navio, que arvorava bandeira portuguesa, sofreu danos significativos. O convés superior foi completamente ou quase completamente queimado, o mastro principal também foi danificado e o fogo consumiu parte do porão. É impossível continuar navegando em breve. "Mais uma vez", diz Acar, com a voz embargada de raiva e indignação, "bombardearam um barco que transportava civis em território tunisino". Aconteceu novamente em maio. Ao largo da costa de Malta, o Al Damir, o primeiro veleiro da Flotilha a tentar chegar a Gaza este ano, foi atingido por dois drones militares e ficou irreparavelmente danificado.

Políticos embarcam na Flotilha: "O governo deve proteger a segurança"

"Isto", afirma o ativista, "é um ataque contra nós, contra uma missão civil pacífica, porque eles não nos querem lá. Não devemos permanecer em silêncio; devemos nos mobilizar, e devemos fazê-lo rapidamente." A condenação vem das tripulações de toda a Flotilha Global Sumud. "Atos agressivos com o objetivo de nos intimidar ou descarrilar nossa missão não nos deterão. Nosso objetivo coletivo de levantar o cerco a Gaza e expressar solidariedade ao seu povo continua." Portanto, não há como recuar. Afinal, esse era um dos cenários previstos quando a missão foi concebida.

Agora, porém, resta saber se e em que medida a frota terá que revisar sua programação. Os danos ao Family Boat são significativos. Os trabalhos de reparo começarão quando for seguro operar e as autoridades tunisinas, que abriram uma investigação formal sobre o incidente, tiverem dado sinal verde. É impossível prever um prazo preciso neste momento. É possível que a tripulação encontre espaço em outras embarcações ou encontre um substituto, mas todas essas possibilidades estão sendo exploradas. Para a Flotilha Global Sumud, esta é a primeira noite de raiva, medo e apreensão. E todos têm certeza de que não será a última.

Leia mais