15 Julho 2025
"Na manhã de sexta-feira, a plataforma Blogger do Google removeu o blog Messa in Latino, um dos sites tradicionalistas mais influentes e lidos na Itália e em outros lugares (mais de um milhão de acessos no mês de junho)", escreve Fabrizio D'Esposito, professor italiano, em artigo publicado por Il Fatto Quotidiano, 14-07-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Há quatro dias, fortes denúncias contra a censura vêm surgindo da vareigada rede da direita clerical: na manhã de sexta-feira, a plataforma Blogger do Google removeu o blog Messa in Latino, um dos sites tradicionalistas mais influentes e lidos na Itália e em outros lugares (mais de um milhão de acessos no mês de junho). A decisão do Google se baseou nas violações contínuas de sua política contra o discurso de ódio, ou seja, a incitação ao ódio.
Para os responsáveis do blog, a remoção teria ocorrido por três artigos: contra o diaconato para as mulheres (uma entrevista com um bispo estadunidense já demitido por Francisco), contra a Maçonaria e contra as paradas de orgulho gay. Outro site tradicionalista, o da editora Fede e Cultura, levantou uma hipótese diferente envolvendo a Amazon: "Isso (a remoção) ocorre no contexto de outro desaparecimento inesperado, o do livro La liturgia non è uno spettacolo (A liturgia não é um espetáculo), que foi removido da Amazon na versão impressa e adiado para 21 de julho (já estava disponível e vendido). A remoção de blog foi repentina, há uma hora, enquanto estavam nos escrevendo, imediatamente após a publicação desse artigo, sempre sobre as mentiras de Francisco sobre a Missa Tradicional." Na prática, a remoção teria ocorrido imediatamente após a publicação de uma entrevista no Messa in latino com um dos autores do livro que sumiu da Amazon, Monsenhor Nicola Bux.
Criado em 2007, durante o pontificado de Ratzinger, o site foi um dos mais ferozes críticos de Francisco. Não é por acaso que, nos últimos dias, os responsáveis pelo blog receberam a solidariedade de toda a galáxia da direita clerical, antes antifranciscana. Independentemente do fatídico algoritmo, a decisão do Google renova o debate sobre a linha tênue entre liberdade de expressão e discurso de ódio e, no caso de Messa in latino, não faltam exemplos controversos, em que os homossexuais são sempre definidos como "sodomitas". Aqui estão alguns títulos, sem ordem específica: "Sodomitas à revanche, o Papa Francisco elogia o trabalho do grupo LGBT 'católico'. Não aguentamos mais"; "Sodomitas no Sínodo"; "Sínodo, o coming out dos padres sodomitas italianos"; "Agora os sodomitas podem ser abençoados".
Mas o exemplo mais paradoxal da flagrante homofobia de Messa in latino remonta a agosto de cinco anos atrás, quando uma antiga notícia de 2013 foi relançada para celebrar, ainda que de forma cheia de erros gramaticais, a confirmação na Polônia do presidente católico-soberanista Andrzej Duda: "Após a boa notícia do Presidente Duda (...), hoje trazemos outra boa notícia da terra de Santo Estanislau: um arco-íris, que havia sido colocado (pelo movimento LGBT polonês) em frente à catedral de uma cidade polonesa, foi queimado poucas horas depois por cidadãos, indignados e descontentes com esse gesto claramente ultrajante e provocativo. Eles conseguiram fazê-lo porque ainda são livres e não existe nenhuma lei liberticida que puna o crime de opinião." A notícia do arco-íris LGBT queimado datava de 2013, mas a essência permanece a mesma: liberdade de fogueira ou liberdade de expressão?
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