Debandada de empresas americanas chacoalha coalizão climática de bancos

Donald Trump | Foto: History in HD / Unsplash

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

22 Fevereiro 2025

"Efeito Trump" coloca na balança a Net-Zero Banking Alliance, formada para fomentar a descarbonização de investimentos e que pouco entregou desde sua criação, em 2021.

A informação é publicada por ClimaInfo, 21-02-2025.

Criada com pompa e circunstância há quase quatro anos, como um incentivo para as negociações da COP26 de Glasgow (Escócia), a Net-Zero Banking Alliance (NZBA) vive hoje uma crise existencial, com a saída de várias instituições financeiras e a pressão política contrária do governo negacionista de Donald Trump nos EUA.

Desde a vitória de Trump na eleição presidencial norte-americana, em novembro passado, várias instituições financeiras do país se desvincularam do grupo, como Goldman Sachs, JPMorgan, Citigroup, Bank of America e Morgan Stanley. A saída foi a culminação de anos de campanha negativa por parte do Partido Republicano nos EUA, que instrumentalizou os governos estaduais sob seu controle para perseguir investidores e bancos com compromissos ESG.

Sem a presença dos gigantes do setor financeiro norte-americano, os integrantes da NZBA discutem um caminho para o futuro. “É uma questão de sobrevivência para a coalizão”, disse Quentin Aubineau, analista da ONG BankTrack, ao Climate Home.

Um dos pontos de avanço potencial para o grupo está em uma de suas fraquezas mais latentes – a falta de efetividade de seus compromissos. Mesmo com as promessas de descarbonização, as instituições que integram a NZBA pouco ou nada avançaram na promoção de investimentos verdes e redução da pegada de carbono de seus portfólios de ativos.

“O NZBA está tentando escolher entre duas opções: diminuir a ambição novamente e tentar manter o máximo de bancos possível ou tentar fortalecer a orientação e seguir em frente com aqueles que estão realmente comprometidos”, disse Aubineau.

É o caso de um grupo de bancos asiáticos, que reforçou nesta semana seu compromisso com a iniciativa. Empresas sediadas em Singapura e Malásia, como DBS Group, Oversea-Chinese Banking Corp., Malayan Banking e CIMB Group afirmaram que seguirão trabalhando dentro do grupo pela manutenção de seus objetivos comuns de descarbonização. A Bloomberg deu mais detalhes.

Por outro lado, uma das instituições fundadoras da NZBA, o banco europeu HSBC, anunciou o adiamento de sua meta de reduzir a zero as emissões líquidas de carbono associadas às operações internas de 2030 para 2050, com o enfraquecimento subsequente de outros compromissos ambientais.

Em tempo 1: Na contramão de grandes empresas, a megamineradora Rio Tinto reafirmou em seu relatório corporativo que pretende seguir com seus objetivos net-zero. “Apesar do cenário político fragmentado, a descarbonização ainda pode ser um bom negócio”, disse o CEO da empresa, Jakob Stausholm, citado pela Bloomberg. Segundo ele, os projetos net-zero “aumentam o valor do nosso negócio ao reduzir nossa exposição a preços voláteis de combustíveis fósseis e custos mais altos de penalidades de carbono”.

Em tempo 2: Já no Reino Unido, uma nova iniciativa encabeçada pelo ex-presidente da COP26, Alok Sharma, pretende unir os bancos da cidade de Londres, empresas e formuladores de políticas públicas para aumentar o financiamento para descarbonização em projetos domésticos e internacionais. O Transition Finance Council pretende reposicionar a capital britânica como “um centro financeiro premente para o financiamento da transição”, disse Sharma. A notícia é da Bloomberg.

Leia mais