O mau uso das Escrituras discrimina mulheres, aponta teóloga islandesa

Foto: Wikimedia Commons

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18 Dezembro 2024

A linguagem da fé tem sido usada ao longo dos séculos para negar às mulheres sua dignidade e direitos humanos dados por Deus, apontou a teóloga feminista da Igreja Evangélica Luterana da Islândia e professora universitária Dra. Arnfriour Guomundsdóttir na Consulta sobre Justiça de Gênero convocada pela Federação Luterana Mundial (FLM) e reunida em Genebra dias 9 a 11 de dezembro.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

As Escrituras Sagradas, disse Guomundsdóttir, continuam sendo mal utilizadas em muitos lugares para “justificar a exclusão e o comportamento abusivo em relação às mulheres”, incluindo negar-lhes a possibilidade de ordenação ou posições de liderança.

A consulta partiu da pergunta “que diferença a fé faz na luta por um mundo mais equitativo e de gênero justo?” A Política de Justiça e Gênero da FLM, que fornece princípios teológicos e de gênero às igrejas, foi adotada pelo organismo ecumênico em junho de 2013 e lançado em 10 de dezembro do mesmo ano – Dia dos Direitos Humanos.

Guomundsdóttir destacou a importância da educação em todos os níveis da vida da igreja. “É crítico para nossa jornada em direção a uma comunhão mais justa em termos de gênero que continuemos a buscar teologias responsáveis, linguagem inclusiva, uma releitura sensível ao gênero das Escrituras e a contextualização de nossa política”, defendeu.

Em 2010, um grupo consultivo, integrado pela teóloga brasileira Dra. Elaine Neuenfeldt, começou a elaborar uma política de gênero. “Descobrimos que não havia modelos preexistentes em nenhuma outra comunidade religiosa e fomos pressionadas a não falar a linguagem da fé, mas a focar na linguagem dos direitos humanos”, relembrou.

O primeiro dia da consulta incluiu um espaço para debater o papel e as responsabilidades dos homens no trabalho de base da justiça de gênero. O pastor Jussi Luoma, da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia, apresentou uma pesquisa realizada no país mostrando o machismo de jovens finlandeses que responsabilizam as jovens pela violência que sofrem “por causa da maneira que se parecem, se vestem ou se comportam”.

A mudança, enfatizou, “começa conosco e precisamos ter coragem para a autorreflexão para modelar um tipo diferente de masculinidade”.

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