"Dívida de carbono" dos países ricos é 250 bilhões de toneladas de CO2

Londres, Reino Unido. (Foto: Benjamin Davies | Unsplash)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

08 Junho 2023

Um novo estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido, calculou que os países do Norte Global (os mais ricos e industrializados), em termos de custo social do carbono, devem até 170 trilhões de dólares aos países do Sul Global (os mais pobres e em desenvolvimento) por terem emitido mais do que sua cota justa de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera desde 1990.

A reportagem é de Henrique Cortez, publicada por EcoDebate, 07-06-2023.

O estudo, publicado na revista Nature Climate Change, usou um modelo baseado no conceito de “orçamento de carbono“, que é a quantidade máxima de CO2 que pode ser emitida para limitar o aquecimento global a 1,5°C ou 2°C, conforme acordado no Acordo de Paris.

Os pesquisadores dividiram o orçamento de carbono entre os países com base em critérios como população, renda e responsabilidade histórica pelas emissões. Eles então compararam a cota de cada país com as emissões reais desde 1990 até 2015, e projetaram as emissões futuras até 2030.

Eles descobriram que os países do Norte Global usaram ou reservaram cerca de 16% a mais do orçamento de carbono do que sua cota justa, enquanto os países do Sul Global usaram ou reservaram cerca de 14% a menos. Essa diferença equivale a uma dívida de carbono de 250 bilhões de toneladas de CO2.

Os cinco maiores responsáveis por emissões excessivas – e quanto terão de pagar de compensação até 2050. A tabela também mostra os cinco principais países que produziram baixas emissões e receberão indenizações. (Foto: Universidade de Leeds)

Para quantificar o valor dessa dívida, os pesquisadores usaram o conceito de “custo social do carbono“, que é uma estimativa do dano econômico causado por cada tonelada de CO2 emitida. Eles consideraram três cenários diferentes: um otimista, um intermediário e um pessimista.

No cenário otimista, o custo social do carbono é de 68 dólares por tonelada de CO2, e a dívida de carbono é de 17 trilhões de dólares. No cenário intermediário, o custo é de 271 dólares por tonelada, e a dívida é de 68 trilhões. No cenário pessimista, o custo é de 684 dólares por tonelada, e a dívida é de 170 trilhões.

Os autores do estudo argumentam que esses números mostram a urgência e a importância de aumentar o financiamento climático dos países ricos para os países pobres, para ajudá-los a se adaptar aos impactos das mudanças climáticas e a reduzir suas emissões.

Eles também defendem que os países do Norte Global devem reduzir suas emissões mais rapidamente e mais profundamente do que estão fazendo atualmente, para evitar que a dívida de carbono aumente ainda mais.

O estudo conclui que “a justiça climática global requer não apenas uma transição rápida para uma economia global com zero emissões líquidas, mas também uma redistribuição significativa dos recursos financeiros e tecnológicos entre os países”.

Referência

Fanning, A.L.; Hickel, J. Compensation for Atmospheric Appropriation. Nat Sustain (2023).

Leia mais