Guerra na Ucrânia. O Vaticano considera que as autoridades não devem interferir na vida das instituições religiosas

(Foto: Michale S | Unplash CC)

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29 Março 2023

Papa Francisco falou para "não se intrometer nos assuntos internos da Igreja Ortodoxa Russa".

A reportagem foi publicada por Il sismógrafo, 28-03-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

A Santa Sé adere à posição de não ingerência das autoridades na vida das instituições religiosas e o Papa Francisco acompanha com preocupação a evolução da situação com a expulsão dos monges da Kiev - Pechersk Lavra. Isso é o que a agência russa TASS relata hoje citando as palavras de uma não melhor identificada "fonte no Vaticano" a um correspondente. "O Papa Francisco está acompanhando o desenvolvimento dos acontecimentos com grande preocupação e apreensão. Ele já expressou publicamente seu desacordo com as ações dirigidas contra mosteiros e sacerdotes", disse a fonte. "O Vaticano como um todo adere à posição de não ingerência das autoridades na vida e no destino dos mosteiros", acrescentou a fonte com referência, certamente, às palavras de Francisco de 15 de março.

Em 10 de março, a direção do complexo Kiev - Pechersk Lavra anunciou o término do contrato de locação a tempo indeterminado do Mosteiro das Grutas para a Igreja Ortodoxa Ucraniana (UOC) e que os monges devem deixar o mosteiro antes de 29 de março. O abade da Lavra, o Metropolita Pavel, definiu essas ações de ilegais e anunciou a recusa dos irmãos em deixar o mosteiro. Em 20 de março, os membros do Sínodo da UOC, liderados por seu primaz, o metropolita Onufrij, apresentaram-se ao gabinete do presidente Volodymyr Zelensky pedindo para serem recebidos para esclarecer sua posição, mas ele se recusou a recebe-los. Em 23 de março, o Sínodo da UOC publicou um apelo aos mais altos responsáveis, clero e paroquianos da igreja com um pedido para proteger seu direito de ocupar o mosteiro.

O Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, Kirill, também se dirigiu aos primazes das Igrejas Ortodoxas locais, ao Papa Francisco, ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e a outros líderes religiosos e representantes de organizações internacionais com mensagens nas quais os convidava a "fazer todo esforço possível" para impedir a expulsão dos monges da UOC do Kiev - Pechersk Lavra e o fechamento forçado do mosteiro.

Sobre as palavras do Papa Francisco que pediu para não se intrometer nos assuntos internos da Igreja Ortodoxa Russa

No dia 15 de março, durante a habitual Audiência Geral de quarta-feira, o Papa Francisco, comentando a situação da Kiev - Pechersk Lavra e respondendo ao pedido do Patriarca Kirill, interveio dizendo: "Estou pensando nas freiras ortodoxas da Lavra de Kiev: peço às partes em conflito que respeitem os lugares religiosos. As freiras consagradas, as pessoas consagradas à oração - sejam elas de qualquer confissão - estão em apoio ao povo de Deus".

Foi uma intervenção inesperada e surpreendente porque, em primeiro lugar, o Papa falou das “freiras” do Mosteiro quando todos sabem que são monges. A Sala de Imprensa nunca corrigiu o erro e ainda permanece na versão oficial da Audiência de 15 de março.

Depois, recebendo uma delegação do Patriarcado de Moscou no Vaticano em 30 de maio de 2018, o Papa Francisco disse: "E, para terminar, duas palavras. Uma sobre o respeito dos católicos em relação a vocês, irmãos ortodoxos russos: a Igreja Católica, as Igrejas Católicas não devem se intrometer nos assuntos internos da Igreja Ortodoxa Russa, nem mesmo nos assuntos políticos. Esta é a minha atitude e a atitude da Santa Sé hoje. E aqueles que se intrometem não obedecem à Santa Sé".

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