“Abençoar a guerra é um crime moral”: mais de 240 sacerdotes da Igreja Ortodoxa se levantam contra Kirill

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12 Abril 2022

 

O novo confronto dentro do mundo ortodoxo ocorre depois que o patriarca de Moscou pediu à população russa que se reunisse em torno das autoridades, lembrando aos líderes as suas responsabilidades e convidando-os a estarem sempre prontos para servir ao seu povo.

 

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada em Il Fatto Quotidiano, 11-04-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

“É um crime moral abençoar a guerra.” O padre da Igreja Ortodoxa Ucraniana Andriy Pinchuk aponta o dedo para o Patriarca de Moscou, Kirill, que voltou a apoiar o conflito desejado pelo presidente russo, Vladimir Putin.

 

Mais de 240 sacerdotes da Igreja Ortodoxa Ucraniana pediram a intervenção do tribunal eclesiástico em relação à posição sobre a guerra de Kirill. Pinchuk lançou um abaixo-assinado contra o patriarca de Moscou nas redes sociais digitais, que, em um único dia, reuniu inúmeras assinaturas.

 

O novo confronto no mundo ortodoxo ocorre depois que Kirill pediu à população russa que se reunisse em torno das autoridades e lembrou aos líderes as suas responsabilidades, convidando-os a estar sempre prontos para servir ao seu povo.

 

“Que o Senhor – afirmou o patriarca de Moscou – possa ajudar a todos nós neste período difícil para a nossa mãe pátria a nos unirmos todos, também em torno das autoridades, e as autoridades a sentirem a responsabilidade pelo povo, a humildade e a estarem prontos para servi-lo. Então, haverá no nosso povo uma verdadeira solidariedade e a capacidade de repelir os inimigos, tanto internos quanto externos.”

 

Kirill acrescentou que o poder é “uma instituição inalienável, criada por Deus, que acompanhou a humanidade ao longo da sua história. Muitas vezes acontece que uma pessoa que alcançou o poder se esqueça de todo o resto e use esse poder para ampliá-lo ainda mais, ou apenas para viver de modo mais confortável”. Para o patriarca, o poder é “perigoso”, e “aquele ao qual ele é dado, muito será exigido”.

 

Palavras que marcam uma marcha à ré em relação àquilo que o Papa Francisco havia dito diretamente a Kirill, que ainda no início da guerra havia se posicionado ao lado de Putin. “A Igreja – explicou Bergoglio ao patriarca – não deve usar a linguagem da política, mas a linguagem de Jesus. Somos pastores do mesmo santo povo que crê em Deus, na Santíssima Trindade, na Santa Mãe de Deus: por isso devemos nos unir no esforço de ajudar a paz, de ajudar quem sofre, de buscar caminhos de paz, para apagar o fogo.”

 

Francisco também acrescentou que “quem paga a conta da guerra são as pessoas, são os soldados russos e são as pessoas que são bombardeadas e morrem. Como pastores, temos o dever de estar perto e de ajudar todas as pessoas que sofrem com a guerra. Antigamente, falava-se também nas nossas Igrejas de guerra santa ou de guerra justa. Hoje, não se pode falar assim. Desenvolveu-se a consciência cristã da importância da paz”, concluindo que “as Igrejas são chamadas a contribuir para fortalecer a paz e a justiça”.

 

No fundo, resta a hipótese muito concreta de um novo encontro face a face entre Bergoglio e Kirill depois daquele de 2016 em Havana. Encontro que deveria ocorrer no verão europeu de 2022, embora as novas afirmações do patriarca arrisquem minar não só as relações já muito tensas dentro do mundo ortodoxo, não só russo e ucraniano, mas também com o catolicismo.

 

No início da Semana Santa, o papa pediu “uma trégua pascal, mas não para recarregar as armas e retomar o combate, não, uma trégua para alcançar a paz, por meio de uma verdadeira negociação, dispostos também a fazer alguns sacrifícios pelo bem das pessoas. De fato, que vitória será aquela que plantar uma bandeira sobre um amontado de escombros?”.

 

Na Sexta-Feira Santa, 15 de abril, após dois anos de ausência devido às limitações impostas pela pandemia, Francisco voltará a presidir a Via Sacra no Coliseu, que será transmitida mundialmente como sempre. Quem vai carregar a cruz da 13ª estação, aquela em que se recorda a morte de Jesus, serão uma família ucraniana junto com uma família russa.

 

Bergoglio confiou as meditações a algumas famílias ligadas a comunidades e associações católicas de voluntariado e assistência. Uma escolha para celebrar os cinco anos da exortação apostólica Amoris laetitia.

 

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