Caminho sinodal alemão: temores nórdicos

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11 Março 2022

 

Depois dos bispos poloneses, a Conferência Episcopal dos países nórdicos também expressou reservas e preocupações em relação ao Caminho Sinodal da Igreja Católica alemã – expressados em uma carta endereçada a Dom G. Bätzing, nos dias em que os bispos alemães se reuniram para a plenária de primavera.

 

O comentário é do teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado por Settimana News, 10-03-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Menos picante que a polonesa e mais respeitosa na tentativa de inserir o Caminho Sinodal alemão no contexto sociocultural da Igreja local, esta carta também não deixa de ressaltar as supostas carências inerentes ao processo sinodal alemão: o risco de seguir o espírito do tempo e a sua volatilidade; uma concentração excessiva na imagem da Igreja como povo peregrino de Deus, negligenciando a dimensão do seu mistério sacramental e corpo místico – e de mediadora da graça.

 

Em suma, o Caminho Sinodal pensaria a Igreja unicamente como uma “sociedade visível”, não a considerando também no seu aspecto de “mistério da comunhão”.

 

Quando permanece em tons respeitosos e construtivos, creio que a dialética suscitada pelo Caminho Sinodal deve ser saudada como algo bom para a vida da Igreja – e esse já é um mérito a ser atribuído a ele, também no que diz respeito aos aspectos mais expostos à crítica.

 

No entanto, fica a impressão de que as Igrejas locais que entraram na arena desse confronto dialético não têm muito a oferecer para a refundação da Igreja Católica desejada pelo Papa Francisco e coletada na trama do documento preparatório para o Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade.

 

A estagnação em torno do tema da doutrina imutável da Igreja Católica e da necessária fidelidade a ela por parte do corpo episcopal e dos fiéis, lembrada na carta dos bispos nórdicos, não gera nenhum processo e não consegue sequer imaginar caminhos pelos quais tal doutrina deve ser apresentada no contexto da contemporaneidade, para ser transmitida eficazmente – isto é, de uma forma que seja pelo menos compreensível aos homens e às mulheres de hoje.

 

A questão aberta pelas duas cartas críticas ao rumo tomado pelo Caminho Sinodal alemão, na realidade, vai muito além dele e põe em questão o próprio processo sinodal aberto por Francisco como um modo constitutivo do ser da Igreja Católica – fazendo do atual uma mera aplicação de formas sinodais de tempos passados. Formas sem as quais aquela doutrina nem sequer teria sido formulada e não teria alcançado a normatividade que hoje lhe é reconhecida.

 

Esse congelamento em uma sinodalidade normativa passada e uma sinodalidade meramente aplicativa presente enfraquece e põe em risco aquela própria normatividade que se deseja proteger – e que é vista em perigo devido às formas sinodais concretas implementadas pelas Igrejas locais.

 

Fazendo isso, não iremos a lugar nenhum e permaneceremos infiéis ao gesto da fé que foi capaz de construir o rigor daquela doutrina.

 

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