“Existe um deserto de humanidade. Não aos que constroem muros”

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19 Novembro 2021

 

Atravessam o Saara, o Mediterrâneo, os Bálcãs. Mas sua viagem atribulada ainda não acabou.

“Infelizmente, pôr-se a caminho não constituiu em muitos casos uma verdadeira libertação - diz o Papa aos refugiados - e muitas vezes vocês se deparam com um deserto de humanidade, com uma indiferença que se tornou global e que torna áridas as relações entre os homens". É amarga a constatação de Francisco que, na mensagem enviada ao Centro Astalli por ocasião do seu 40º aniversário, volta a levantar a sua voz pelas violações da dignidade humana contra milhares e milhares de refugiados, numa Europa que frequentemente nega o direito de asilo.

 

A reportagem é de Luca Liverani, publicada por Avvenire, 17-11-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Bergoglio envia seus cumprimentos na inauguração da exposição fotográfica Rostos do futuro, retratos de vinte migrantes acolhidos pelo Centro Astalli de Roma, tirados pelo foto repórter Francesco Malavolta.

Exposição que estará aberta até 28 de novembro na igreja de Sant'Andrea al Quirinale, encomendada a Bernini justamente pelos jesuítas. A exposição será transferida para Sant'Ignazio em dezembro. Para o 40º aniversário da sede italiana do Serviço dos Jesuítas para os refugiados (JRS), haverá as intervenções, entre outros, do Cardeal Vigário de Roma Angelo De Donatis, do Subsecretário da Seção de Migrantes e Refugiados do Vaticano, Cardeal Michael Czerny, do Presidente do Centro Astalli Padre Camillo Ripamonti, e do presidente da Região do Lácio, Nicola Zingaretti.

“Em diversas partes do mundo - escreve o Papa - nacionalismos e populismos reaparecem em diferentes latitudes, a construção de muros e o retorno dos migrantes a lugares inseguros aparecem como a única solução a que os governos são capazes para administrar a mobilidade humana”. No entanto, afirma o Papa “nestes 40 anos e neste deserto, houve muitos sinais de esperança que nos permitem caminhar juntos como um povo novo para um 'nós' cada vez maior”. E “vocês, caros refugiados, vocês são o sinal e o rosto dessa esperança, há em vocês o anseio por uma vida plena e feliz”, apesar dos tantos obstáculos. “Sinal dessa esperança - acrescenta - também as histórias de tantas pessoas de boa vontade”, voluntárias do Centro.

Também para o cardeal Czerny “o futuro da humanidade passa pela inclusão social dos migrantes”. E assim “devemos nos aproximar dos refugiados como pessoas, conhecer sua vida e adquirir seu olhar sobre a vida. Só assim podemos ver o mundo do seu ponto de vista”.

É o que pergunta Cedric, refugiado da República Democrática do Congo, em seu discurso em nome de muitos: “Estou aqui principalmente para pedir-vos que olhem para os nossos rostos, que olhem em nossos olhos e tentem ver o mundo através dos nossos olhares".

O Padre Ripamonti confessa que tem “o coração cheio de preocupações neste tempo em que o direito de asilo parece ter desaparecido”. De acordo com o responsável pelo Centro Astalli “na fronteira entre a Bielorrússia e a Polônia, mais um cabo-de-guerra está se desenrolando sobre a pele dos migrantes, o mais recente em ordem de tempo para o processo de externalização das fronteiras que tem como consequências mais uma chantagem para a União por parte dos países limítrofes. É tempo de mudar o passo da UE”.

Mas, "diante do grito de ajuda" de seres humanos em fuga, é a amarga constatação do Cardeal Vigário De Donatis: "nem sempre os cristãos respondem a uma só voz", enquanto "muitos veem os migrantes de religião diferente como uma ameaça para suas identidades".

 

 

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