O padre e os desdobramentos do ministério

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04 Novembro 2021

 

Por ocasião de um encontro de dois dias entre cerca de vinte padres da diocese de Crema, o bispo Daniele Gianotti apresentou a rica reflexão comum sobre as unidades pastorais, a sinodalidade e sobre as condições do ministério presbiteral com algumas breves indicações que retomaremos. O encontro realizou-se nos dias 18 e 19 de outubro em Albino (Bérgamo).

 

O artigo é de Daniele Gianotti, bispo de Crema, na Itália, publicado por Settimana News, 31-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Enumero aqui, sem pretensão de esgotar o assunto, alguns desdobramentos que me parecem importantes, para falar da nossa condição de padres nos cenários que estamos vivendo. Não faço grandes raciocínios sobre isso e não vou "pesá-los" para dizer o que é mais ou menos importante.

A diminuição do número de padres - pelo menos como os conhecemos - deve ser considerada irreversível num futuro próximo, por várias razões que não vou enumerar.

Isso não significa que se deva renunciar a trabalhar no plano vocacional, pelo contrário; no entanto, temos que lidar com o fato de que haverá bem menos padres num futuro não muito distante.

Uma questão "teológico-sociológica" imediatamente se soma à questão numérica; também a importância do sacerdote para a vida da comunidade é posta em discussão, e o será ainda mais, por vários motivos; por exemplo, a perda geral do prestígio social do padre em nossa sociedade; as consequências de escândalos dos abusos contra menores; a reflexão sobre a sinodalidade, que nos leva a ressaltar “a verdadeira igualdade em relação à dignidade e à ação comum de todos os fiéis na construção do corpo de Cristo” (LG 32), que existe entre todos os membros do povo de Deus; a justa referência à pluralidade dos ministérios de que a Igreja necessita; a denúncia contínua (em minha opinião talvez excessiva) do "clericalismo".

A escolha das unidades pastorais, embora inevitável sob alguns aspectos, corre o risco de piorar a situação, quando se limita a multiplicar as tarefas e as responsabilidades do sacerdote, sem alterar de alguma forma as modalidades e as condições do seu exercício do ministério - o que pressupõe, antes mesmo, modificar a própria forma de orientar a comunidade cristã.

A esse respeito, poderia ser arriscado, na nossa situação, o fato de que, no conjunto, a situação ser de alguma forma fácil, porque as dimensões das unidades pastorais permanecem relativamente reduzidas, as paróquias são próximas, etc.; no entanto, já se pode ver (pelo menos em alguns casos) o risco de pensar as unidades pastorais apenas como uma soma de paróquias, sem que se possa “inventar” alguma nova modalidade de articulação da pastoral e, portanto, também do ministério do padre.

Neste contexto, a questão das condições de vida do padre parece-me menos relevante, ou melhor, parece-me subordinada ao que dizia antes; no sentido de que, sem um repensamento da fisionomia geral da figura do sacerdote e das modalidades da sua responsabilidade pastoral, é possível identificar problemáticas relativas às condições de vida e tentar melhorá-las; mas permanece em aberto o problema da "identidade pastoral" do padre, que continua a ser, em minha opinião, a questão decisiva.

É muito provável - como mostra a experiência de outras dioceses, mas também, em certa medida, na nossa - que num futuro próximo homens de certa idade, com determinadas aptidões profissionais venham a oferecer a sua disponibilidade ao ministério presbiteral, com caminhos variegados e orientações que não se prestam facilmente à "formação" de uma determinada figura do presbítero.

O que fazer nessa situação? Mesmo deixando de lado a questão da formação que pode ser proposta em casos como esses, como podemos considerar, por exemplo, a ideia de ministério presbiteral que essas pessoas possam ter pela frente? Em que medida podemos permitir-nos acolher apenas aqueles que correspondem a uma determinada figura de "presbítero"?

Mencionei o fato de que, apesar da diminuição quase certa das vocações para o ministério sacerdotal - diminuição ainda mais drástica do que a que já estamos vivenciando - não devemos desistir da animação vocacional.

No pano de fundo está o conflito entre uma visão do homem, dominante em nossa cultura e cujo arranjo (de forma sucinta) se refere à ideia de Nietzsche do "além do homem" – ou seja (em poucas palavras) do homem "artífice de si mesmo", do homem que, de forma completamente autônoma no que diz respeito a autoridade, divindade, tradições, etc. determina e dá forma à sua vida - e precisamente a concepção "vocacional" de uma vida que se quer como "resposta" ao chamado de Deus ...

A questão "vocacional", em suma, não é tanto uma questão de "recrutamento de pessoal", mas sim de ajudar as pessoas, e em particular os jovens, a abrir-se a uma visão evangélica de si, da relação com Deus e com os irmãos em Cristo e no Espírito.

Em todo caso, também entra na problemática vocacional a questão da imagem que damos de nós mesmos (como indivíduos e como presbitério), ou melhor, da nossa vocação e do modo como a acolhemos como aquela que oferece sentido e plenitude à vida.

Em todo caso, resta saber que pastoral vocacional efetiva fazemos, ou podemos fazer, em nossa Igreja (e, evidentemente, não apenas em relação à vocação particular do presbítero diocesano).

 

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