David Attenborough: “Só os seres humanos podem criar mundos para depois destruí-los”

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01 Junho 2021

 

David Attenborough pertence a um seleto grupo. Da mesma forma como há um grupo muito reduzido de pessoas que viajaram ao espaço exterior ou às profundezas do oceano, o naturalista inglês faz parte de um muito pequeno de seres humanos que percorreram várias vezes o planeta, visitando os lugares mais recônditos e inóspitos, para explorar a natureza em toda a sua riqueza e imensidão. A extensa carreira como divulgador científico mais famoso rende filmes, livros e documentários. Sobretudo, quando se leva em conta que em seus 95 anos recém-completados, longe de gozar da aposentadoria, intensificou seu trabalho para alertar sobre a deterioração do mundo natural.

A reportagem é de Fonseca Xavier, publicada por La Voz de Galicia, 27-05-2021. A tradução é do Cepat.

Coincidindo com a comemoração de seu aniversário, no último dia 8 [de maio], foi publicado neste mês [em espanhol] o livro Una vida en nuestro planeta (Crítica), a versão em papel do documentário produzido para a Netflix. Além disso, Movistar+ [plataforma de televisão por assinatura espanhola] estreou três documentários dedicados ao naturalista: David Attenborough: una vida extraordinaria, La gran aventura de David Attenborough e Curiosidades de la naturaleza con David Attenborough. A Netflix também tem disponível em sua plataforma A vida em cores com David Attenborough. Todos eles oferecem o relato de uma trajetória fascinante, que começou lá pelo ano de 1954.

Attenborough chegou à BBC quando a rede britânica ainda estava começando suas transmissões. O primeiro programa do qual participou foi Zoo Quest, um espaço no qual espécies exóticas eram levadas ao set. Quis o destino que no mesmo dia da estreia, o especialista em animais que seria o apresentador ficasse doente. A direção pediu a David que o substituísse. Assim iniciou sua carreira diante das câmeras.

Durante décadas, mostrou maravilhas da natureza nunca antes vistas e espécies até então desconhecidas, como o pangolim e a preguiça. Sempre com os meios mais sofisticados. Se algo pode caracterizar seus filmes é a tecnologia de gravação mais avançada em cada momento. As séries Planet Earth 2 e Blue Planet 2 são considerados os melhores documentários da história. Recentemente, também estreou One Planet: seven worlds e A perfect Planet, outras obras mestras da BBC.

Apesar de uma vida extraordinária e de sucesso, ao final de sua trajetória, David se deparou com um dilema. Toda a biodiversidade que tinha ensinado ao público está desaparecendo em um ritmo sem precedentes. Inclusive, recebeu críticas por omitir nos documentários o dano que o ser humano já vem causando há décadas;

Attenborough simplesmente não podia se aposentar. Atualmente, concentra-se em divulgar o impacto do Antropoceno em títulos como Extinção ou Mudança Climática: os fatos. Em A perfect planet, as câmeras conseguiram filmar como espécies como as baleias desenvolveram novos métodos para se alimentar em um oceano cada vez mais castigado pelo aquecimento e a poluição.

Atualmente, seu compromisso transcende a pequena tela, assumindo um papel de ativismo político e participando em cúpulas internacionais. Neste mês, Movistar+ também transmite a série Un año para cambiar el mundo. No segundo capítulo o naturalista inglês mantém uma conversa com a ativista sueca Greta Thunberg. “Faz ideia de como mobilizar as pessoas mais velhas?, porque a verdade é que precisamos de todos nesta luta”, comenta Thunberg. “Minha geração estragou tudo, porque sabíamos o que estava acontecendo e não fizemos nada. Temos que mudar muitas coisas sobre o nosso modo de entender a vida e parece que agora há esperança graças à mobilização dos jovens”, responde ele.

O certo é que o trabalho que David Attenborough está fazendo na etapa final de sua vida tem uma influência de valor incalculável. No Reino Unido, fala-se abertamente do “Efeito Attenborough” que motivou uma mudança de comportamento no consumo da população britânica que já está sendo objeto de estudos científicos.

No testemunho pessoal que oferece em Uma vida no nosso planeta, sustenta que “o ser humano é a única espécie capaz de criar mundos para depois destruí-los”. A citação faz todo o sentido vindo dele. A beleza natural dos lugares que exibiu, durante mais de meio século, encontra-se hoje em risco de colapso.

 

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