"A ética planetária não pode limitar-se a um único modelo". Entrevista especial com Denis Müller à IHU On-Line

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08 Abril 2021

Questionado sobre quais são os progressos que as religiões podem obter a partir de uma visão pluralista como a preconizada pelo Projeto de Ética Mundial do teólogo alemão Hans Küng, o teólogo suíço Denis Müller afirmou: “O maior progresso que cada religião poderia fazer é o de amar o humano do homem no próprio coração de Deus, e não fora dele. Isto significa também repensar o mistério de Deus, captar melhor e viver o elo entre Deus e o amor. É deixar de fazer de Deus um supersujeito, um mega-ator da história e da política, e compreendê-lo como ausência de violência e reconciliação no coração das nossas violências, da violência do mundo, da dureza do nosso coração”. A declaração faz parte da entrevista exclusiva que Müller concedeu à IHU On-Line, por e-mail, refletindo sobre o Weltethos de Küng, que na semana que vem, dia 22 de outubro, estará na Unisinos no Ciclo de Conferências Ciência e Fé – por uma ética mundial. Para Müller, “a ética planetária não pode limitar-se a um único modelo. Ela deve tornar-se mais dialógica, menos monológica, menos idealista”.

“É incontestável que, na forma que lhe deu Hans Küng, o modelo da ética planetária permanece fortemente marcado por uma forma católica (e católica romana) de pensar a unidade do mundo e da realidade. É, aliás, inteiramente em honra do grande teólogo católico que ela permanece, a favor e contra tudo. Mas, a meu ver, isso em si não constitui uma objeção contra a visão de uma ética realmente universal, no sentido que se pode dar a esta expressão na linha de autores como Emmanuel Kant e Jürgen Habermas. Com Kant, é preciso sublinhar que uma ética universal tem o estatuto de um ideal normativo, de um reino dos fins, de certo modo, e que só se pode cumprir no mundo e no planeta terra ao preço de uma constante reafirmação de sua verdade. Ora, a verdade ética última da humanidade é, por definição, uma verdade contrafactual e, portanto, simultaneamente teleológica e escatológica. A quota programática e declarativa do modelo küngiano da ética planetária só tem sentido na condição de compreendê-lo como caminho de pertença, de fidelidade a si mesmo, de coerência, como a movimentação de um comportamento prático orientado para os outros, ao todo do mundo, e tudo junto de si. Trata-se realmente de um comportamento (ethos), ressoando no mundo e por todo o mundo. Ela não é uma “ética planetária” (a tradução francesa de “Weltethos” é inadequada, sob este ponto de vista), no sentido de uma doutrina ética que todo o mundo deveria aceitar e que repousaria no Deus da verdadeira religião (e então também da religião cristã em sua essência). O comportamento mundano (weltliches Ethos) é o fato de homens e de mulheres singulares, de indivíduos responsáveis, de cidadãos minúsculos, de testemunhas singulares que não saberiam fundir-se na massa anônima de uma mundialização abstrata e desumana”.

Num estilo direto, incisivo e demonstrando bastante interesse com as questões formuladas pela Revista IHU On-Line, Müller é um dos grandes entrevistados que a edição 240, que circula dia 22 de outubro, convidou para debater o Projeto de Ética Mundial künguiano. A íntegra da referida entrevista poderá ser acessada nesse número. Outros nomes que contribuem para a discussão são o próprio Hans Küng, os filósofos Paul Valadier (Faculdades Jesuítas de Paris - Centre Sèvres) e Paolo Flores D’Arcais (Universidade La Sapienza, de Roma), cujas entrevistas estão sendo traduzidas. Outros entrevistados que enviarão suas contribuições nos próximos dias são Gianni Vattimo, Michael Walzer (Instituto de Estudos Avançados, Princeton, EUA) e Enrico Chiavacci (Universidade de Firenze, Itália). O grande egiptólogo alemão Jan Assmann também foi contatado por nossa revista, e tentará responder por e-mail às nossas questões, nos intervalos de uma escavação arqueológica que está conduzindo no Egito. A revista IHU On-Line no. 240 estará disponível para download na tarde de 22 de outubro através dos sites www.unisinos.br/ihu e www.unisinos.br/ihuonline. A versão impressa circula no câmpus a partir das 8h30min de 23 de outubro.

Hans Küng estará na Unisinos em 22 de outubro discutindo seu Projeto de Ética Mundial. Nos dias subseqüentes ele estará em Porto Alegre - Goethe-Institut; Curitiba - Universidade Federal do Paraná (UFPR); Brasília - Universidade Católica de Brasília (UCB); Rio de Janeiro - Universidade Cândido Mendes e Juiz de Fora - Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).


Leia mais:

Entrevista com Manfredo Araújo de Oliveira: O Projeto de Ética Mundial de Hans Küng


Ética mundial. Uma reflexão sobre o pensamento de Hans Küng

Hans Küng: `A posição da Igreja de não permitir nada, não é cristã`

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