Os bispos alemães continuarão com a bênção a casais homossexuais em sua agenda, mesmo com o “não” do Vaticano

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17 Março 2021

 

O presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, dom Georg Bätzing, convida a seguir avançando na doutrina porque “não há respostas fáceis”.

O jesuíta estadunidense James Martin denuncia que para muitos homossexuais cristãos o documento foi “desalentador”.

A reportagem é de Mateo González Alonso, publicada por Vida Nueva, 16-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O bispo Georg Bätzing, presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, emitiu uma declaração oficial depois de a Congregação para a Doutrina da Fé afirmar expressamente que “não é lícito conceder bênçãos a relações, ou casais inclusive estáveis, que implicam em uma prática sexual fora do casamento”. Para o prelado, a questão é mais complicada do que aparece no documento, já que “não há respostas fáceis a este tipo de perguntas”.

 

Avançar na doutrina

Bätzing acrescenta em seu comunicado o conteúdo da nota de ‘Responsun ad dubium’ na qual se confirma que a resposta é “negativa” à questão de “se a Igreja tem autoridade para abençoar as uniões de pessoas do mesmo sexo” baseado no “ensinamento da Igreja, tal como se reflete em vários documentos romanos”. Não obstante, o bispo declarou: “Na Alemanha e em outras partes da Igreja universal estão ocorrendo discussões há um longo tempo sobre como o desenvolvimento desse ensino e da doutrina pode avançar com argumentos sólidos – com base em verdades fundamentais da fé e da moral, mantendo a reflexão teológica e também se abrindo para os novos resultados das ciências humanas e as situações das vidas das pessoas hoje”.

Diante disto, sentencia, “não há respostas fáceis para questões como essa”. De fato, aponta que este é um dos temas do Caminho Sinodal, onde os pontos da Doutrina da Fé “devem e irão encontrar sua forma de entrar nessas discussões, com certeza”.

Poucas horas depois da declaração, em declarações à agência KNA, ele disse que não estava “feliz” com a resposta da Doutrina da Fé. “Isso dá a impressão que o debate teológico, o qual tem sido debatido em várias partes da Igreja universal, incluindo a Alemanha, deve se encerrar o mais rápido possível”, acrescentou. Para o bispo de Limburg “a discussão é intensa e com bons argumentos em vários lugares, e o debate teológico sobre prática pastoral hoje não pode simplesmente ser eliminado sob o argumento de autoridade”.

Por outro lado, prelados como os bispos Stefan Oster, da diocese de Passau, e Rudolf Voderholzer, de Regensburg, saudaram a declaração do Vaticano e agradecem o esclarecimento doutrinário, segundo o portal katholisch.de. Por sua vez, para o presidente da ZdK - a principal associação leiga alemã - Thomas Sternberg, a nota se soma a uma “série de perturbações ao Caminho Sinodal” vindas do centro da cristandade. Sternberg criticou a “fixação sobre o ato sexual” na nota da Congregação para a Doutrina da Fé, algo que considera “limitado, impróprio e que não é mais compreendido pelos fiéis”.

 

Uma declaração “desalentadora”

Bätzing não foi o único a criticar o documento do Vaticano. O jesuíta estadunidense James Martin disse em suas redes sociais que para muitos homossexuais cristãos o documento foi “desalentador”. “Especialmente doloroso para muitas pessoas LGBTQ que estão me contatando hoje é a declaração de que Deus ‘não abençoa e nem pode abençoar o pecado’. O ativista pela acolhida de homossexuais na Igreja pede esperança, embora a jornada de reconhecimento seja longa”. “Como cristãos, vivemos com esperança e confiança de que a Páscoa está sempre diante de nós, por mais frio que seja o inverno ou por mais difícil que seja a Quaresma”, acrescenta.

Por sua vez, Juan Carlos Cruz, uma das vítimas de abusos sexuais no Chile, advertiu que “se a Igreja não avançar, os católicos continuarão a sair”. “A Congregação para a Doutrina da Fé, e especialmente seus prefeitos, estão completamente em um mundo próprio, longe das pessoas e tentando defender o indefensável. Vemos isto na lentidão com que se trata os crimes de abuso, na falta de humanidade e na falta de conhecimento do sofrimento das pessoas, posturas contrárias ao Papa Francisco”, assegurou ao jornal argentino La Nación.

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