Dia do Banheiro aponta o caos do saneamento básico no mundo

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30 Novembro 2020

Mais da metade da população global, ou 4,2 bilhões de pessoas, carece de saneamento seguro; duas em cada cinco escolas em todo o mundo, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), não tinham instalações básicas para a lavagem das mãos antes do Covid-19. Os dados foram divulgados no Dia Mundial do Banheiro, 19 de novembro, introduzido em 2013 pelas Nações Unidas.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

A comemoração anual incentiva a adoção de medidas para enfrentar a crise global de saneamento e alcançar o Objetivo 6 do Desenvolvimento Sustentável da ONU: água e saneamento para todos até 2030. O tema deste ano focou-se no saneamento sustentável e as mudanças climáticas. Se o problema não for atacado, em 2050 até 5,7 bilhões de pessoas no planeta poderão viver em áreas onde a água será escassa pelo menos um mês por ano, segundo o Unesco.

O quadro atual é assustador: globalmente, 80% das águas residuais geradas pela sociedade voltam para o ecossistema sem serem tratadas ou reutilizadas; 40% da população mundial – cerca de 3 bilhões de pessoas – vivem sem instalações de lavagem das mãos com água e sabão disponíveis em casa, o que aumenta os casos de doenças contagiosas; cerca de 270 mil crianças com menos de cinco anos – mais de 800 todos os dias! – morrem a cada ano de doenças diarreicas devido à falta de higiene, informa a OMS.

Incrivelmente, cerca de 673 milhões de pessoas no mundo ainda defecam a céu aberto. Esta é uma prática difícil de combater porque, por um lado, “é uma norma cultural de muitas sociedades praticadas há séculos”, mas também porque, por outro lado, ela “exige um investimento contínuo na construção, manutenção e uso de latrinas, bem como outros serviços básicos”, analisou a diretora do Conselho Colaborativo para o Abastecimento de Água e Saneamento, Sue Coates, em entrevista para a ONU News.

De qualquer forma, afirmou Sue, a prática “é uma afronta à dignidade, à saúde e ao bem-estar de todos, sobretudo às meninas e mulheres”. A militante do Movimento dos Trabalhadores do Saneamento, Bezwada Wilson, que nasceu numa comunidade de catadores, se disse perplexa com este cenário de pessoas normalizando uma situação anormal. “Consideramos os seres humanos a imagem de Deus e como podemos ser indiferentes ao fato de que a ‘a imagem de Deus’ carrega excrementos humanos manualmente?”- indagou.

Um banheiro que funciona bem é conectado a um sistema de saneamento que leva embora e dá solução para os dejetos humanos, ensina matéria do Instituto Água Sustentável. “Hoje, os banheiros do mundo – e os sistemas de saneamento aos quais estão conectados – estão ameaçados pelas mudanças climáticas, inundações, secas e a elevação do nível do mar, pois isso tudo pode danificar qualquer parte do sistema de saneamento – vasos sanitários, canos, tanques e estações de tratamento – e espalhar o esgoto bruto e criar riscos à saúde pública”, alerta.

O presidente da Rede Ecumênica da Água do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e presidente da Conferência de Igrejas de Toda a África, bispo Arnold Temple, pergunta: “Não é uma injustiça flagrante que, em nosso mundo, hoje, as pessoas não podem esvaziar seus estômagos com dignidade e, assim, comprometerem sua saúde? Como dizer que somos cristãos se fechamos os olhos para a flagrante injustiça que nos rodeia?”

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