Líder dos Bispos da Alemanha liga a sobrevivência da fé e da Igreja a um maior protagonismo das mulheres

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25 Novembro 2020

O líder dos bispos alemães, Georg Bätzing, relacionou a sobrevivência da fé e da Igreja a um maior protagonismo para as mulheres no catolicismo.

A reportagem é de Mada Jurado, publicada por Novena News, 23-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Fundada por mulheres, sustentada por mulheres, encorajada por mulheres, avivada por mulheres – isso é a Igreja. E somente dessa forma teremos um futuro”, alertou o presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha Georg Bätzing, em 22 de novembro.

Bätzing, bispo de Limburg, presidiu a consagração à Frauenfriedenskirche (“Nossa Senhora da Paz”), em Frankfurt.

O plano para a igreja remonta a 1916, quando Hedwig Dransfeld, então presidente da Katholischer Deutscher Frauenbund (Organização das Mulheres Católicas Alemãs), arrecadou dinheiro para fazer uma “santuário de pedra para oração pela paz” em homenagem aos mortos na Primeira Guerra Mundial.

Os fundos arrecadados naquele momento foram perdidos na hiperinflação da República de Weimar, mas a igreja foi finalmente concluída em 1929, apesar de ser seriamente danificada durante a Segunda Guerra Mundial.

Agora, a igreja foi reconsagrada após um projeto de restauração de cinco milhões de euros e três anos, completo com o mosaico modernista original e impressionante de 12 metros de altura de Nossa Senhora Rainha da Paz no pórtico, que Bätzing descreveu como “muito incomum”.

Use a “raiva” sobre a marginalização das mulheres como “condutora” para a mudança

Dada a história da Frauenfriedenskirche, Bätzing dedicou sua homilia no domingo a homenagear o papel das mulheres na Igreja.

Desde o início, ele elogiou “as perguntas das mulheres, as queixas das mulheres, a coragem das mulheres, a raiva das mulheres, os presentes das mulheres, a união das mulheres, as opiniões das mulheres, a esperança das mulheres, a fé das mulheres [e] a paz das mulheres”.

As perguntas das mulheres sobre como elas podem assumir uma maior liderança na Igreja e as respostas que a hierarquia dá a essas demandas “são decisivas para que nossa situação cultural e social continue com a fé no Deus de amor e em seu Filho salvador e seu espírito vital, ou esta confissão milenar continuará a diminuir”, advertiu Bätzing em seu sermão.

Mas, independentemente das respostas para uma maior igualdade de gênero que vêm da hierarquia, Bätzing encorajou as mulheres a continuarem com sua luta por justiça e a usar sua “raiva” como “condutora” para pressionar por reformas.

“Para algumas mulheres na Igreja, o ponto crítico agora foi alcançado. Elas se unem. E eu digo: isso é bom, porque a alternativa não seria se calarem, mas abandonar, como muitas mulheres já fizeram!”, reconheceu o bispo.

A mentalidade de “aliança dos homens” ainda reina

O bispo Bätzing tem sido um defensor incansável das mulheres na Igreja, falando em várias ocasiões sobre a necessidade de maior justiça de gênero no catolicismo e sendo um dos poucos prelados alemães a se reunir com grupos católicos de direitos das mulheres, como o “Maria 2.0”.

O bispo de Limburg repetiu na semana passada esse sentimento em um discurso a uma assembleia geral do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK), em que admitiu estar “muito infeliz com a situação geral que se tem na Igreja alemã”, principalmente a respeito da crise contínua de abuso sexual do clero na Arquidiocese de Colônia e em outros lugares.

Em vez de transparência à frente dos abusos, ainda reinam o clericalismo, uma mentalidade de “aliança de homens” e a preocupação em proteger a instituição a todo custo, lamentou Bätzing.

Junto com seu vice-presidente Franz-Josef Bode e porta-voz Hans Langendörfer, o chefe dos bispos alemães Bätzing esteve envolvido em negociações com o Vaticano em 12 de novembro – não sobre o lugar das mulheres na Igreja nem sobre a crise dos abusos, mas sim sobre as polêmicas instruções paroquiais que o Vaticano publicou em julho.

De acordo com a Conferência Episcopal, a conversa entre Bätzing, Bode, Langendörfer e o prefeito da Congregação para o Clero do Vaticano, cardeal Beniamino Stella, foi “caracterizada pela abertura e compreensão mútua” em torno do documento, que a maioria dos bispos alemães criticou por fortalecer clericalismo e enfraquecer a corresponsabilidade dos leigos.

Apesar das preocupações de que os leigos não estariam envolvidos nas conversas dos bispos alemães com o Vaticano sobre o documento, o cardeal Stella “enfatizou expressamente” que os representantes leigos “certamente também deveriam estar presentes na próxima reunião”, disse a Conferência Episcopal Alemã.

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